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Meio Ambiente

A ilha remota entre África e Brasil que tem lições para o futuro do meio ambiente

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A Ilha de Ascensão, localizada no meio do Oceano Atlântico, ficou desabitada por séculos devido à sua extrema aridez e vegetação escassa. Mas, em meados do século 19, um projeto mudou drasticamente a paisagem e o ecossistema da ilha. A Ilha da Ascensão fica localizada no meio do Atlântico entre Brasil e Angola
Getty Images/via BBC
Vista do mar, a Ilha de Ascensão parece estar ardendo em chamas, uma paisagem tão aparentemente hostil que rendeu ao local um apelido capaz de espantar qualquer turista: “inferno do fogo apagado”.
Elevando-se acima de crateras adormecidas, depósitos piroclásticos e picos de lava, a Montanha Verde, com 859 metros de altura, e sua vegetação frondosa chamam atenção em meio à ilha carbonizada. São também uma prova da engenhosidade dos seres humanos e da resiliência da natureza.
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Plantada no topo de uma colina devastada há cerca de 160 anos, a floresta que começou por um capricho passou a atrair a atenção de cientistas de todo o mundo.
A Montanha Verde dá uma esperança de que ecossistemas criados pelo homem possam melhorar o meio ambiente.
Os cactos acrescentam cor à paisagem árida da ilha
Getty Images/Via BBC
À medida que a crise climática destrói paisagens e gera catástrofes, a próspera selva de Ascensão reforça o argumento de que talvez possamos regenerar uma floresta usando conceitos deste lugar remoto e muitas vezes esquecido.
A Ilha da Ascensão surgiu do Oceano Atlântico cerca de 1 milhão de anos atrás. Localizada no meio do caminho entre Angola e Brasil, ela recebeu esse nome quando foi redescoberta por Afonso de Albuquerque no Dia da Ascensão em 1503 (ela havia sido identificada pela primeira vez em 1501).
Durante muito tempo, foi ocupada apenas por aves marinhas e tartarugas verdes que viajam milhares de quilômetros a partir do do Brasil para procriar ali.
Os primeiros habitantes humanos chegaram em 1815, quando a Marinha Real Britânica montou acampamento para vigiar Napoleão, que estava exilado quase 1,3 mil quilômetros a sudeste, na ilha de Santa Helena.
Ascensão tornou-se um ponto de parada útil para os navios. Mas, durante sua visita em 1836, Charles Darwin apontou a falha mais óbvia da ilha: sua ausência de árvores, o que a tornou um lugar difícil de se viver.
Transformação pela chuva
Inspirado pelas teorias de seu amigo Darwin sobre transformar a paisagem árida em um jardim, o botânico Joseph Hooker apresentou o plano de plantar mudas de todo o mundo ali. As árvores poderiam “capturar” as nuvens e aumentar as chuvas na ilha, tornando-a habitável.
O plano foi um sucesso. Em 1860, John Bell, horticultor da ilha, supervisionou o plantio de cerca de 27 mil árvores e arbustos, o que resultou no desenvolvimento de solo suficiente para o cultivo.
Foi a oportunidade de visitar essa floresta peculiar e pouco conhecida que levou minha família a Ascensão, que agora tem cerca de 900 habitantes, entre militares americanos e britânicos e funcionários civis.
Deixando nosso veleiro ancorado em Clarence Bay, dirigimos através de uma paisagem lunar ofuscante, passando pelos fluxos de lava, pelas crateras vulcânicas e pelos burros selvagens que vagam pelo deserto em busca de comida, até começar a subir a Montanha Verde.
Ali, a luz do sol era suavizada pela névoa e depois apagada pela chuva irregular. A estrada nos levou a uma floresta de casuarinas e acácias, e depois para uma densa selva pontuada por bananas, gengibre, zimbro, framboesa, café, samambaias e figos.
Depois de estacionar, partimos para a caminhada. Encontrando ocasionalmente ovelhas selvagens, seguimos uma trilha fresca e enevoada, cheia de teixos e pinheiros, descendentes de algumas das mudas que Hooker aconselhou aos britânicos transportar para Ascensão a partir de jardins botânicos de todo o mundo. A floresta parecia enganosamente antiga.
De acordo com os princípios ecológicos tradicionais, essa mistura de gramíneas e samambaias endêmicas com mais de 300 espécies não nativas nunca poderia ter evoluído para um ecossistema próspero. Florestas complexas levam milhões de anos para se desenvolver.
Mas o ecossistema artificial da Montanha Verde, onde espécies introduzidas e plantas insulares parecem ter evoluído juntas, não se encaixa nesse paradigma.
Contrariando o ‘normal’
“O que você vê ali é algo que não despertaria o interesse de pesquisadores tradicionais”, diz Dave Wilkinson, professor de ecologia da Universidade de Lincoln, no Reino Unido.
“Porque é algo completamente dominado por espécies não nativas, e os ecologistas se concentram nos ambientes naturais, não em coisas que não deveriam estar onde estão. Isso seria considerado algo negativo.”
Até recentemente, conservação significava livrar-se de espécies invasoras e permitir que a paisagem voltasse ao modo como era antes da intervenção humana.
Mas uma visita casual à Ilha de Ascensão em 2004 fez Wilkinson pensar nessa perspectiva “natural versus invasores”.
“A Montanha Verde é um exemplo muito dramático de algo bastante comum: em grande parte do mundo, espécies não nativas são uma parte funcional do ecossistema.”
Wilkinson desenvolveu a ideia em seu controverso artigo de 2004 para o periódico Journal of Biogeography, A Parábola da Montanha Verde, no qual desafia a teoria de que as espécies introduzidas em um local não pertencem àquilo e propõe o argumento de que ecossistemas artificiais, como a Montanha Verde, poderiam desempenhar um papel importante em nosso futuro.
Nos anos seguintes, essa ideia ganhou força e, em 2006, o termo “novo ecossistema” foi desenvolvido pelo renomado ecologista Richard Hobbs para descrever lugares como a Montanha Verde, que foram irreversivelmente alterados pela intervenção humana – e talvez não precisem ser consertados.
Anna Bäckström, ecologista sênior do grupo de pesquisa científica ICON, da Universidade RMIT, na Austrália, diz que os proponentes de uma nova abordagem de ecossistema têm uma visão pragmática da conservação. “O conceito oferece mais flexibilidade”, explica ela.
Dadas as mudanças climáticas, o impacto humano e a pequena quantidade de fundos geralmente disponíveis para conservação, Bäckström diz que, ao aceitar as mudanças que os humanos fizeram, a restauração ecológica é mais gerenciável.
“A paisagem não precisa voltar ao que era. Nós apenas queremos diversidade e equilíbrio.”
Essa ideia de que o serviço que um ecossistema fornece – como controle de enchentes, sequestro de carbono ou polinização – é mais importante do que a condição primitiva de uma floresta está sendo adotada mais amplamente à medida que os ecossistemas são jogados no caos pelos incêndios, tempestades e doenças provocadas pela crise climática.
“Se um grupo de plantas sobreviver e algumas delas não forem nativas, não queremos arrancá-las”, diz Bäckström. “A diversidade no ecossistema é mais importante que a origem de uma planta.”
Indo ainda mais longe, Wilkinson diz que essa nova abordagem permite que os ecologistas tenham algum controle sobre forças que podem moldar os ecossistemas do futuro.
“Vinte anos atrás, os conservacionistas nunca cogitariam plantar espécies não nativas, mas agora sabemos o valor de ter uma mistura de árvores em um local, porque, se um patógeno, fogo ou animais o atacam, nem tudo é perdido”, diz ele.
Com uma abordagem inovadora do ecossistema, os conservacionistas têm a liberdade de reconstruir uma planície que antes ficava inundada e que secou com espécies resistentes à seca ou replantar uma paisagem devastada pelo fogo com plantas que prosperam em uma região mais quente.
O experimento da Montanha Verde, onde as plantas de diferentes lugares foram reunidas em um mesmo lugar e, de alguma forma, prosperaram, talvez possa ser replicado.
Isso nos aponta que ideias polêmicas – como a da China, de plantar bilhões de árvores para conter o avanço do deserto; ou o esforço da Austrália para que as pessoas plantem espécies e plantas não nativas para conter o avanço de incêndios – devem ser analisadas com mais cuidado.
A proposta feita por Darwin e Hooker nos diz que, quando se trata de sobrevivência, às vezes, não há problema em experimentar algo novo.

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