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Economia

Cenário para o ano que vem é de estagflação, diz José Roberto Mendonça de Barros

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Na leitura do economista, ex-secretário de Política Econômica do governo Fernando Henrique, o Brasil vai chegar ao próximo ano com vários desarranjos: na inflação, nas contas públicas, sem aumento do investimento e com o consumo andando de lado. O economista José Roberto Mendonça de Barros diz que que a economia brasileira vai enfrentar um quadro de estagflação no ano que vem.
Na leitura do sócio da MB Associados e ex-secretário de Política Econômica do governo Fernando Henrique Cardoso, o Brasil vai chegar ao próximo ano com vários desarranjos: na inflação, nas contas públicas, sem aumento do investimento e com o consumo andando de lado.
“A estagflação é isso: você sai do buraco, começa a andar de lado e volta para aquela mediocridade do crescimento que caracterizou o período de 2016 para frente”, afirma.
Economista José Roberto Mendonça de Barros
Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo/Arquivo
O G1 e a GloboNews ouviram economistas sobre os desafios para 2021. A seguir, os principais trechos da entrevista com José Roberto Mendonça de Barros.
Leia também as entrevistas com Solange Srour, economista-chefe do banco Credit Suisse; e Marcos Lisboa, presidente do Insper.
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Como avalia o quadro da economia e a expectativa para 2021?
Quando olhamos para o ano que vem, o nosso cenário é de estagflação. A recuperação (do terceiro trimestre) não será sucedida por um crescimento sustentável. A questão central é o quadro fiscal muito difícil e, além disso, o fato de que essa robustez do terceiro trimestre é filha direta da grande transferência de renda que foi feita a partir do coronavoucher (Auxílio Emergencial).
Há uma redução (na transferência). Nós estamos falando que, de repente, 67 milhões de pessoas estavam recebendo R$ 600 por mês, no mínimo, até agosto. Em setembro, outubro, novembro e dezembro, essas 67 milhões de pessoas estão recebendo R$ 300. É a metade. E no ano que vem isso acabou. O que tem no Orçamento de 2021, que está no Congresso e não foi votado, são as 14 milhões de pessoas que estão com Bolsa Família recebendo R$ 187.
Vai haver um impacto no consumo, então?
O país enfrentou uma parada súbita em março e abril, a economia parou, o PIB desmontou, porque não tinha produção. Houve um período, de alguns meses, com uma injeção na veia de dinheiro. Foi ótimo do ponto de vista de produção, consumo e emprego. Aí, de repente, haverá uma queda abrupta, e esse cenário será substituído por um mercado de trabalho muito enfraquecido.
E, no mercado de trabalho, tem uma coisa que está acontecendo no mundo inteiro, o que, do ponto de vista do emprego, é uma pena. As empresas frágeis ou saem do mercado ou diminuem. Mas as empresas fortes – há uma nata de empresas fortes Brasil – estão se saindo muito bem, vendendo mais, com mais tecnologia e produtividade. Só que elas estão avançando na área tecnológica, na direção da digitalização, da automação, da consolidação das operações à distância. O resultado disso é que você emprega menos gente. É mais eficiente, o custo fica menor, mas à custa de emprego.
Então, vai ser uma dureza o mercado de trabalho no ano que vem. Por isso nós temos uma projeção para o PIB do ano que vem de 2,5%.
Projetado esse cenário de estagflação, qual é a expectativa para inflação?
Há pouco tempo, a projeção para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) deste ano estava um pouco acima de 2%. Hoje, a nossa projeção é de 3,4%, e tem gente muito boa que está apresentando 3,5% e 3,6%. Para o ano que vem, a nossa projeção é de 3,6%, e também tem gente competente prevendo perto de 4%. Esse é o primeiro número da inflação que preocupa.
O segundo número que preocupa é o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). Nós projetamos terminar em 4,1%. O INPC corrige o benefício previdenciário, então o gasto do governo vai ficar maior, e o teto vai ser mais pressionado, porque a receita sobe pelo IPCA, e a despesa previdenciária vai aumentar pelo INPC. E não é só isso. O IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado, que reajusta a maioria dos contratos de aluguel) vai terminar este ano acima de 20%. Fazia anos, muitos anos, que não tínhamos nada parecido com isso.
O que explica essa alta do IGP-M?
Parte é por causa do câmbio, mas não é só isso. É onde aparece a mobilização da oferta. De repente, a empresa teve de acelerar a produção de muita coisa, os custos subiram e deu para fazer esse repasse. Por exemplo, no IGP-M, tem lá dentro o Índice Nacional da Construção Civil. No mês de agosto, em 12 meses, o custo do material de construção civil já subiu 12%. E tem produto faltando.
E como fica a política de juros?
O Banco Central está se esfalfando para tentar demostrar que não precisa mexer na Selic no ano que vem. Eu acho um erro. A inflação vai ser um pouco mais desagradável. Não é que ela vai subir e descolar. Mas ela vai subir, depois vai cair, mas deve parar mais alta de onde partiu.
A inflação reforça o cenário de que a demanda subiu muito e que, depois, deve andar de lado. O custo da alimentação deve subir 12%. Então, a conta do supermercado e do armazém aumenta muito – logo, sobra menos dinheiro. O poder de compra está mais espremido. E acho que a gente já está vendo: está diminuindo a intensidade de compra nos supermercados, no varejo final, porque a comida está muito cara e isso compromete um pedaço maior do salário.
Nós vamos entrar no ano que vem com um certo desarranjo da inflação e das contas públicas e com uma demanda de consumo que subiu muito, mas que agora vai andar de lado, sem que o investimento tenha aumentado.
Economista José Roberto Mendonça de Barros
Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo/Arquivo
Em relação a esse desarranjo nas contas públicas, quão grave é a situação?
Eu acho que é muito grave, eu não usaria desesperadora, porque ela é financiável. O que mais preocupa é que a gente percebe uma festa. É uma festa do gasto. O presidente da República e boa parte do governo querem gastar mais para fazer estrada, fazer isso, fazer aquilo. A maior parte do Congresso quer saber é de gastar mais mesmo, de ter projeto para gastar mais.
Eu não estou dizendo se é necessário, se é meritório. Num país de renda média como o nosso, muita coisa é meritória. Mas a pergunta não é só se é meritória: dá para pagar ou não dá para pagar? Além de a gente já ter um rombo aberto, ter a perspectiva de déficit no ano que vem, nós temos um sistema de governança federal que é uma aliança a favor de aumentar o gasto, sem olhar a qualidade dele.
E como fica a agenda de reformas?
Ela não aconteceu e não acontecerá. Infelizmente. Não acontecerá porque o timing ficou totalmente atropelado. Por decisão do presidente da República, só vai se discutir reforma a partir de dezembro. Ora, dezembro tem uma pauta necessária: orçamento, LDO, já é tumultuado. Janeiro está na véspera da eleição das mesas da Câmara e do Senado, que atrai a atenção de tudo mundo.
E a equipe econômica está muito distante do Congresso. Tem de estar muito próxima do Congresso para poder levar as pautas adiante. Não são pautas populares, são pautas difíceis. Isso não está acontecendo.
E a PEC Emergencial, vai sair?
Tem uma grande resistência, a conferir se ela vai sair. Deveria. Ela seria individualmente a mais importante, mas eu não tenho certeza. O executivo não está fazendo força para reforma nenhuma. Muita conversa, muito discurso, mas, na prática, força mesmo de ir lá, fazer acontecer, não tem. Volto a dizer: nunca se viu uma equipe econômica tão distante do Congresso. E a própria estatura da equipe econômica diminuiu, qualquer analista percebe.
A minha sensação é que vai acabar saindo um pouquinho de cada coisa. É o mesmo que não ter nada. Vai ter um pouquinho de gatilho, um pouquinho de corte de despesa. Vai ser um pouco de tudo e o resultado disso é andar de lado. A estagflação é isso: você sai do buraco, começa a andar de lado e volta para aquela mediocridade do crescimento que caracterizou o período de 2016 para frente.
E como o país chega em 2022?
O que tem é um país muito desigual. Uma desigualdade entre as pessoas, no que tange a renda e o mercado de trabalho. Isso já está mais do que conhecido. Mas tem uma outra desigualdade, que é a seguinte: a gente pode classificar as milhões de empresas brasileiras em três grupos.
Nós temos uma nata de grandes empresas, algumas médias, de primeira qualidade. Há um conjunto intermediário, de empresas médias e pequenas, da maior parte dos setores, que infelizmente está passando por um período dificílimo. Esse grosso de empresas está mal, muita gente quebrou, encolheu, está andando de lado. E aí embaixo de tudo, por tamanho, você tem uma coisa borbulhante, positiva, que são as chamadas startups.
O problema é que essa faixa intermediária é muito maior do que as grandes e as pequenininhas embaixo. Isso é para dizer que temos um país cuja desigualdade, por qualquer critério que você olhe, aumentou. Vale para as pessoas e para as empresas. O dinamismo de crescimento se perde. Esse é o problema.
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