O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva expulsou do Brasil o adido civil americano Michael William Myers após a retirada do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho do território dos Estados Unidos, em mais um capítulo da crise diplomática entre Brasília e Washington.
Segundo apuração do UOL, a medida também chegou a atingir um segundo agente policial norte-americano, que teve temporariamente suspenso o acesso à estrutura da Polícia Federal, embora depois a corporação tenha recuado e restituído suas credenciais.
Michael Myers atuava na área de segurança e estava credenciado pela embaixada dos EUA desde setembro de 2024, em Brasília. Sua saída foi tratada como resposta direta à expulsão do delegado Marcelo Ivo, que trabalhava em Miami como oficial de ligação junto ao ICE, a polícia de imigração americana.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, explicou que a suspensão temporária de acesso ao segundo agente foi uma medida administrativa enquanto o Ministério das Relações Exteriores definia a resposta oficial.
“São duas coisas. Eu cortei temporariamente o acesso de um funcionário dos EUA à PF, até o MRE definir qual medida adotaria”, afirmou.
Marcelo Ivo foi acusado pelo Departamento de Estado dos EUA de tentar “manipular o sistema de imigração” para contornar pedidos formais de extradição e ampliar perseguições políticas em território americano.
O delegado atuava em cooperação policial e teria fornecido informações ao ICE sobre o ex-deputado Alexandre Ramagem, condenado a 16 anos de prisão no caso da trama golpista e que havia fugido para a Flórida.
O Itamaraty defendeu reciprocidade “na forma e no conteúdo”, mas evitou ampliar ainda mais o desgaste diplomático com Washington.
Apesar da tensão, o governo brasileiro afirma que espera a continuidade da cooperação bilateral entre os dois países na área de segurança e inteligência.







Recent Comments