
Prima desmente dom mediúnico de Maira Rocha: "Não passaria despercebida"
Prima de Maira conta que mediunidade seria notada pela família. Ela também contradiz história de que um apelido teria sido dado por espírito
Uma prima da médium Maira Rocha veio a público e desmentiu a líder espírita, alegando que a família nunca soube do dom mediúnico da mulher — ao contrário do que ela afirma nas redes sociais. “A minha mãe conta as primeiras experiências a partir dos 4 anos, eu me recordo a partir dos 7 anos”, alega Maira nas redes sociais. “Novidade para todos nós. Como a cidade é pequena, essa mediunidade que ela alega ter não passaria despercebida”, afirmou Márcia Rocha em entrevista ao Fantástico, da TV Globo. O caso foi revelado em primeira mão pelo Metrópoles.
A declaração de Maira viralizou nas redes sociais, em um vídeo gravado e publicado por ela mesmo no próprio perfil. A médium chegou a dizer que os sinais foram notados pela família ainda durante a infância. Márcia Rocha, no entanto, desdiz a parente. A prima detalha que o dom não passaria despercebido pela família nem pelos moradores da cidade em que ambas cresceram — Jati, cidade do interior do Ceará, com aproximadamente 8 mil habitantes.
A prima da médium contou, ainda, outra versão sobre o apelido “Lê”, dado a Maira. Segundo a médium, um espírito que a ensinou ler se referia a ela dessa forma. Márcia Rocha, entretanto, disse que o apelido não passa de uma abreviação do segundo nome da espírita. “Na verdade, o apelido Lê veio do nome dela, Alexandrina. Maira Alexandrina”.
Maira Rocha foi procurada pela reportagem em mais de uma ocasião, por meio do Instagram da Casa de Caridade Inácio Daniel e, também, pelo número de telefone dela. A médium, porém, não respondeu a nenhuma das tentativas. O espaço segue aberto para qualquer manifestação.
A médium Maira Rocha comanda a Casa de Caridade Inácio Daniel, localizada em Águas Claras (DF). Ela chegou a receber R$ 57 mil em apenas um vestido, durante um leilão de roupas utilizadas por ela enquanto escrevia cartas psicografadas. As pessoas eram ludibriadas a comprar os itens, acreditando ser um objeto “ungido”, visto que foi usada pela médium no momento em que “trabalhava espiritualmente”.
Ao longo das últimas semanas, o Metrópoles investigou o serviço ofertado pela médium e publicou várias reportagens detalhando o sentimento de enganação das vítimas de Maira Rocha.
Na reportagem veiculada pela TV Globo, neste domingo (6/9), a mulher que comprou o tal vestido disse que, a princípio, acreditava que o valor era justo, já que as roupas tinham sido usadas por Maira enquanto se encontrava com os entes queridos no plano espiritual. Veja a peça de roupa abaixo:
Um casal também chegou a pagar R$ 11 mil em um amuleto que, segundo a médium, estava com todas as energias dela. “Coloquei todas as minhas energias neste amuleto. Todas as energias ruins que eu tinha, ele me tirou e me trouxe muitas alegrias. Entro em casa todos os dias e vejo muitos espíritos ali perto dele”, relatou a gestora da Casa de Caridade Inácio Daniel.
Diversos ex-frequentadores e membros influentes do meio espiritualista afirmam categoricamente que as psicografias de Maira são profundamente imprecisas e repletas de conceitos errôneos e mal interpretados, coletados às pressas na internet.

As vítimas explicam que, no auge do desespero, a imensa carga emocional impede a percepção imediata das falhas e das discrepâncias. Contudo, superado o impacto inicial, a constatação da má-fé se torna cristalina. Neste momento é percebido que as informações dos textos psicografados por Maira teriam sido retiradas de postagens no Instagram, Facebook e outras redes sociais. Algumas das mensagens, inclusive, contém informações falsas.
Em uma nota publicada no site oficial da Casa de Caridade Inácio Daniel, a equipe explica como funciona a elaboração das cartas. De acordo com as regras, qualquer pessoa pode receber uma mensagem de um ente querido. Para isso, basta inserir o próprio nome em um livro disponível nas sessões. Em seguida, é necessário comparecer a mais um evento e, “caso seja permitido à quem se foi ditar uma carta, a Maira irá escrever e te entregar”.
O serviço é gratuito, porém, não é garantido que todos recebam o recado. “O telefone só toca de lá pra cá, ou seja, você só receberá a carta se quem for escrever tiver permissão para isso”.
Entretanto, muitos dos que receberam o serviço afirmam que a realidade não é bem essa. O conteúdo dos textos vêm de publicações feitas em alguma rede social, segundo relatos obtidos pelo Metrópoles.
É o caso de Paulo*, 52 anos, que recebeu um bilhete da falecida mãe, Gabriela*. Ao ler o conteúdo escrito por Maira Rocha, ele se emocionou, mas só depois percebeu que algumas informações estavam erradas e outras haviam sido retiradas do Instagram e do Facebook.
O texto começa: “Meus amados filhos, lembro que quando pequenos eu ensinava a Salve Rainha com a régua na mão, era preciso viu”. Um comentário na conta pessoal de Gabriela no Facebook diz exatamente a mesma coisa: “Lembro como se fosse hoje, ela batendo a régua na perna e nos ensinando a Salve Rainha”.
O padrão segue ao longo de todo o texto. O problema maior é quando a carta, supostamente ditada pela falecida, cita o nome de uma neta que simplesmente não existe. A família acredita que é porque uma das noras fez algumas publicações falando que amava a filha, Fernanda*— só que esta é de outro casamento, ou seja, não é neta de Gabriela. A mensagem ainda esqueceu de mencionar o nome de alguns netos.
Uma contradição percebida pela família é que a Juliana*, irmã de Gabriela, usa o nome Julie na sua conta pessoal no Facebook, e esse mesmo apelido aparece no texto. No entanto, a família afirma que a mulher jamais teria chamado a irmã assim.
Outro trecho mostra que Maira realizava um verdadeiro trabalho de apuração antes das psicografias. Um parágrafo — que foi retirado de uma comunidade de ciclistas no Facebook — demonstra que a médium realizava de fato uma pesquisa aprofundada sobre a vida da pessoa morta e todo o seu círculo social.
A mesma carta ainda traz mais duas similaridades com duas postagens feitas na rede social. A primeira parabeniza um dos filhos pela formatura na graduação. Um post aberto ao público repete a mesma informação.
Outro recorte mostra o mesmo filho comentando sobre como ele se parece com a mãe. A carta de Maira traz exatamente a mesma comparação.
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