A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira durante a Operação Vérnix, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil para investigar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital.
Segundo as investigações, Deolane teria recebido recursos provenientes da facção criminosa por meio de uma empresa de transportes apontada como braço financeiro do PCC. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em bens ligados à influenciadora, valor que, segundo os investigadores, possui indícios de origem ilícita e lavagem de dinheiro.
A operação também teve como alvos integrantes do alto escalão da organização criminosa, incluindo Marco Herbas Camacho, apontado como líder do PCC. Como ele já está preso, a nova ordem de prisão preventiva será apenas comunicada ao sistema penitenciário.
Entre os investigados estão ainda Alejandro Camacho, irmão de Marcola; Paloma Sanches Herbas Camacho; Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho; e Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro da facção.
Investigação aponta movimentações milionárias
De acordo com a polícia, a investigação identificou movimentações incompatíveis com a renda formal declarada por Deolane, além de depósitos fracionados, circulação de valores milionários e aquisição de bens de alto padrão.
Os investigadores afirmam que a imagem pública da influenciadora e suas empresas eram utilizadas como “camadas de aparente legalidade” para dificultar a identificação da origem dos recursos.
Entre 2018 e 2021, Deolane teria recebido mais de R$ 1 milhão em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, prática conhecida como “smurfing”, usada para dificultar rastreamento financeiro.
A polícia também aponta que quase R$ 716 mil foram depositados em empresas ligadas à influenciadora por uma companhia suspeita de atuar como fachada financeira do esquema criminoso.
Operação mira estrutura financeira do PCC
As investigações começaram em 2019 após apreensão de bilhetes e manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. A partir daí, a polícia identificou um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo transportadoras, movimentações financeiras suspeitas e empresas ligadas à facção criminosa.
A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 357,5 milhões em ativos financeiros e a apreensão de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões.
Deolane havia passado as últimas semanas em Roma, na Itália, e retornou ao Brasil um dia antes da operação. Segundo a investigação, ela chegou a integrar lista de Difusão Vermelha da Interpol antes de voltar ao país.
Fonte: O Globo







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