Focas, polvos e ouriços-do-mar aparecem mortos há dias na região de Kamchatka. ONG diz que análises da água detectaram quatro vezes mais derivados de petróleo e 2,5 vezes mais de fenol. Cadáveres de animais marinhos são encontrados em praias do leste da Rússia
Cadáveres de focas, polvos e ouriços-do-mar aparecem há dias na península russa de Kamchatka. A ONG internacional Greenpeace denunciou que “ocorreu um desastre ecológico” na região.
Os corpos dos animais marinhos foram encontrados na praia de Khalatyr, um local turístico conhecido pela prática do surf, e também na baía de Avacha, no Pacífico, de acordo com a ONG.
As análises feitas na água detectaram “quatro vezes mais derivados de petróleo e 2,5 vezes mais de fenol (componente natural encontrado no carvão mineral e em diversos produtos do cotidiano)”, segundo o Greenpeace, que explicou que as causas da contaminação ainda não foram identificadas. As autoridades locais não informaram sobre um possível acidente industrial ou acontecimento incomum.
Foto divulgada pelo Greenpeace mostra a água na área perto da praia Khalaktyr, na península de Kamchatka. A ONG internacional Greenpeace denunciou que “ocorreu um desastre ecológico” na região
Handout/Greenpeace/AFP
De acordo com a NBC, os surfistas que costumam nadar nas praias da região reclamaram que o mar estava com cheiro e cor diferentes. Um deles, Anton Morozov, divulgou um vídeo dizendo que vários frequentadores sofreram queimaduras nos olhos devido à qualidade da água.
“Precisamos entender o que acontecerá com a nossa saúde e com a saúde dos animais”, disse Morozov.
Uma das surfistas que sofreu com as mudanças na água foi Natalia Danilova, colega de Morozov. Em um post em uma rede social, ela contou que pratica o esporte desde agosto, mas que nas últimas semanas começou a ter problemas de visão. Ela disse que outros amigos no mesmo grupo de surf também tiveram os mesmos sintomas.
Neste fim de semana, o governador de Kamchatka, Vladimir Solodov, visitou a região e ameaçou demitir as pessoas que ocultaram a gravidade da situação. Também prometeu divulgar uma nova análise nos próximos dias feita com amostras do local, enviadas para Moscou.
O Greenpeace disse que mantém contato com os responsáveis para “pedir uma investigação imediata das causas da contaminação, uma avaliação de seu alcance e a eliminação urgente das consequências”.
VÍDEOS: natureza e meio ambiente
Categoria: Meio Ambiente
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Cadáveres de animais marinhos surgem em península da Rússia e ONG denuncia: 'desastre ecológico'
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Em meio aos incêndios no Pantanal, arara-azul pode voltar à lista dos ameaçados de extinção, diz bióloga
Bióloga de MS sobrevoou a área com outros especialistas e encontrou um cenário desolador. Ela também falou sobre a fome, perda de habitat e ação de traficantes de animais. Arara-azul encontrada morta no Pantanal de MS
Instituto Arara Azul / Divulgação
A bióloga Neiva Guedes, maior especialista do país em araras-azuis, fez sobrevoos e visitas a campo no Pantanal de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul em setembro, para verificar os impactos das queimadas sobre a espécie. E encontrou um cenário desolador: extensas áreas queimadas, perda de habitat, animais com fome e indícios do aumento da captura das aves para venda por traficantes de animais. Para Guedes, as araras-azuis podem voltar para a lista de animais ameaçados de extinção.
“Houve um misto de emoções ao sobrevoar o Pantanal por cinco dias. De início, a sensação é de desespero, de que tudo está perdido. É desolador. Mas, andando no campo, tivemos algumas surpresas. Sensações boas e outras ruins. Talvez nem tudo esteja perdido, porém, elas [araras-azuis] poderão voltar para a lista dos animais brasileiros ameaçados de extinção”, afirmou ao G1.
Segundo Neiva, que é presidente do Instituto Arara Azul, o período de pós-fogo trouxe muita fome significou perda de habitat para a espécie. No Pantanal de Mato Grosso, ela cita a região do Barão de Melgaço, onde se concentra a maior população de araras-azuis livres na natureza. Já em Mato Grosso do Sul, ela fala do município de Miranda, região oeste do estado, onde está o Refúgio Ecológico Caiman, considerado o maior centro de reprodução da espécie.
Como as araras são “especialistas” e comem somente frutos das palmeiras acuri e bocaiuva, o que restou como alternativa foram os frutos queimados. Ainda conforme Neiva, isso causou lesões, semelhante a queimaduras, na cloaca (órgão por onde aves e alguns outros animais excretam seus resíduos orgânicos: fezes e urina). Outro problema foi a perda de ninhos, por conta das árvores incendiadas.
Animal estava em sacola plástica quando houve a apreensão em MS
PMA/Divulgação
Na questão criminal, o que preocupa os especialistas da espécie é a continuidade do tráfico deste animais. No dia 26 de setembro, por exemplo, a polícia interceptou dois paraguaios tentando atravessar a fronteira com uma arara-azul em uma sacola plástica. A intenção era vender no mercado ilegal de aves.
“A PMA [Polícia Militar Ambiental] foi acionada em seguida e foi até Bela Vista. Nós percebemos que se tratava de um animal adulto, e eles [criminosos] apontaram o local exato em que pegaram a arara, e nós a devolvemos em seu habitat”, explicou o tenente-coronel da PMA, Ednilson Queiroz.
Polícia Ambiental apreende arara-azul com traficantes de animais em MS
Doação para brigadistas e animais
Nessa segunda-feira (5) voluntários entregaram água e comida para brigadistas que trabalham no combate ao fogo no Pantanal. Animais, que sofrem com a seca, receberam alimentos. Foram arrecadados 7 mil litros de água potável e, no barco, além das garrafas, muitos voluntários também receberam cartinhas de crianças com agradecimentos.
“Como a queimada pegou praticamente em todo a vegetação, muitos animais que se alimentavam das frutas, que eram oriundas da vegetação nativa, ficaram sem ter o que comer. E é por isso que houve essa ação para tentar amenizar a situação que a gente está passando. “, afirmou o capitão Diego Ferreira.
Combate ao fogo
Para conter os incêndios, bombeiros fazem o combate por terra, e helicópteros jogam milhares de litros de água diariamente. Segundo a corporação, ainda não há previsão de controle das chamas, principalmente por conta da sequidão e estiagem prolongadas, o que provocou incêndios florestais até em áreas que não afetadas há mais de uma década.
Nessa segunda-feira (5), a informação é que mais 60 bombeiros do Distrito Federal vão reforçar o combate ao fogo em Corumbá, a 444 km de Campo Grande. Dias antes, conforme decreto do Ministério da Justiça e Segurança Pública, homens da Força Nacional também foram encaminhados para o combate no Pantanal sul-mato-grossense.
Assista mais sobre as queimadas no Pantanal -

Quem é David Attenborough, o ambientalista de 94 anos que 'quebrou' o Instagram com mensagem de preservação
O apresentador e naturalista britânico se tornou a pessoa a alcançar um milhão de seguidores no Instagram mais rapidamente, chamando a atenção de jovens à preservação da vida selvagem. David Attenborough é querido por jovens: no ano passado, foi recebido como uma estrela de rock durante sua aparição surpresa no festival de música Glastonbury
Getty Images via BBC
O que David Beckham, Jennifer Aniston, Príncipe Harry e o Papa Francisco têm em comum?
Todos eles já detiveram o recorde de menor período de tempo para alcançar um milhão de seguidores no Instagram.
E agora todos eles foram superados pelo Sir David Attenborough.
O apresentador, locutor e naturalista britânico é conhecido no Reino Unido e mundialmente, por seus documentários sobre vida selvagem e pelo seu estilo suave de apresentação.
Em 24 de setembro, a estrela de 94 anos atingiu o número mágico em pouco mais de quatro horas após postar na rede social pela primeira vez.
Sem desfilar regularmente nos tapetes vermelhos, nunca jogar futebol profissional ou comandar a Igreja Católica, Attenborough é agora um influenciador em uma plataforma dominada por jovens usuários – muitos dos quais nem haviam nascido quando sua primeira e revolucionária série de TV sobre vida selvagem, Life on Earth, foi exibida pela primeira vez na BBC no Reino Unido em 1979.
Antes de virar moda
Nos últimos anos, Sir David Attenborough tem cada vez mais chamado a atenção de um público mais jovem como parte de seu ativismo pelas mudanças climáticas.
As pesquisas têm mostrado consistentemente que a Geração Z – como é apelidado o grupo das pessoas nascidas depois de 1997 – considera as mudanças climáticas a questão mais importante do nosso tempo.
“É o mundo deles e seu amanhã. Eu não estarei aqui, eles estarão”, disse Attenborough à BBC.
“É muito importante que os jovens se preocupem com essas questões, e eles estão, em números cada vez maiores.”
“Eu me sinto privilegiado por eles ouvirem o que um cara velho como eu está falando.”
Os documentários de Attenborough foram transmitidos para todo o mundo nas últimas quatro décadas.
Seu novo empreendimento, A Life on Our Planet, que estará na Netflix, lança mais luz sobre Attenborough.
Mas o filme faz mais do que relembrar sua história: clipes da ilustre carreira de Attenborough dividem espaço com imagens do impacto da atividade humana no planeta.
Esse clima já é definido no trailer: “Nosso planeta está fadado ao desastre. Precisamos aprender a trabalhar com a natureza e não contra ela”, alerta.
De colecionador a ‘Sir’
David Attenborough nasceu em 8 de maio de 1926 em Isleworth, na Grande Londres.
Foi apenas 17 dias após o nascimento da rainha Elizabeth II – a atual monarca britânica que fez de Attenborough um “Sir”, dando-lhe o título de cavaleiro por seus serviços de radiodifusão, quase sessenta anos depois.
David é o filho do meio entre três irmãos. Seu irmão mais velho era o ator e diretor Richard Attenborough, que interpretou o papel de um excêntrico bilionário no primeiro filme de Jurassic Park em 1993, e também ganhou o Oscar de Melhor Diretor pelo filme Ghandi em 1983.
Seu irmão mais novo, John, trabalhava como executivo na indústria automobilística e era também um consultor financeiro.
VEJA TAMBÉM: Entenda os impactos do aquecimento global se a temperatura subir até 1,5°C ou mais de 2°C
Quando criança, David era um colecionador ávido de tudo relacionado à vida natural, incluindo fósseis e espécimes vivos – ele já vendeu salamandras para o departamento de zoologia da Universidade de Leicester, onde seu pai, Frederick, era o diretor.
Mas o momento crucial nas aspirações de carreira de Attenborough veio em 1936, quando ele e Richard assistiram a uma palestra de Grey Owl, um dos primeiros conservacionistas do mundo.
De forma polêmica, mais tarde revelou-se que Grey Owl era na verdade Archibald Belaney, um homem branco que se fazia passar por um nativo canadense. Sua mensagem ambientalista, no entanto, foi genuína e ressoou com um jovem David.
“A ideia de que a humanidade estava colocando a natureza em perigo ao espoliar e saquear suas riquezas de forma imprudente era inédita na época, mas continua sendo parte do que Dave diz até hoje”, disse Richard em uma entrevista de 2000, promovendo seu documentário sobre Belaney.
Sir David Attenborough mais tarde se formaria em ciências naturais na Universidade de Cambridge, e ingressaria na BBC em 1952.
Embora seus primeiros programas com tema de animais datem do início dos anos 1950, seu momento inovador veio com Life on Earth.
A série de 13 episódios de 1979 foi revolucionária em termos de complexidade técnica e escala.
A série foi assistida por cerca de 500 milhões de pessoas em todo o mundo. Apesar da ausência de redes sociais, a série teve uma “espécie de sequência viral”: o encontro de Attenborough com um grupo de gorilas da montanha em Ruanda.
O encontro ficou em 12º lugar em uma pesquisa de 1999 sobre os 100 melhores momentos da TV, antes da coroação da rainha Elizabeth II.
‘Conversão’ à causa da mudança climática
Com o passar das décadas, os programas de Attenborough enfatizaram cada vez mais o ângulo ecológico, embora seja possível argumentar que o naturalista tenha chegado atrasado na campanha contra a mudança climática.
Embora os cientistas tenham emitido alertas sobre as mudanças climáticas causadas pelos humanos já na década de 1970, foi apenas em 2005 que Attenborough anunciou publicamente que “não tinha nenhuma dúvida” sobre o assunto.
Ele creditou essa mudança de opinião ao falecido cientista americano Ralph Cicerone – um dos mais respeitados especialistas em mudanças climáticas.
O britânico ficou abalado depois de assistir a uma palestra de Cicerone em 2004.
“O que realmente me convenceu foram os gráficos que relacionam o aumento de CO2 no meio ambiente e o aumento da temperatura com o crescimento da população humana e a industrialização”, escreveu Attenborough em um artigo de 2005 para o jornal britânico The Independent.
Essa epifania levou o naturalista a produzir dois documentários para a TV sobre mudanças climáticas veiculados em 2006.
E ele nunca olhou para trás.
“Desde que fiz o primeiro programa de televisão, há três vezes mais pessoas no planeta do que antes, e agora estamos percebendo o dano terrível que causamos”, disse ele à BBC.
“Cada respiração nossa, cada garfada de comida que comemos, vem do mundo natural em última instância e, se o danificarmos, prejudicamos a nós mesmos.”
Prêmios, títulos honorários e animais com seu nome… incluindo um dinossauro
Sua dedicação ao mundo natural rendeu a Attenborough uma série de elogios, desde prêmios distribuídos por vários governos e instituições a dezenas de títulos honorários de universidades em todo o mundo.
Mas Attenborough também tem mais de 20 espécies batizadas com o seu nome, desde ervas daninhas a insetos, mamíferos – e até um dinossauro, o Attenborosaurus conybeari (uma criatura marítima).
E em uma época em que músicos mais velhos como Paul McCartney e Mick Jagger ainda atraem o público mais jovem, o naturalista também viveu um “momento de estrela do rock”: no ano passado, ele fez uma aparição surpresa no festival de música Glastonbury, um dos eventos de música mais famosos do mundo, e foi bem recebido por uma multidão que gritava por ele.
Convocação para que as pessoas salvem o planeta
Aconteceu apenas alguns meses depois que Attenborough fez um discurso apaixonado perante líderes mundiais reunidos para o Fórum Econômico Mundial anual em Davos, na Suíça. Lá ele fez um apelo apaixonado ao público VIP.
“Precisamos ir além da culpa ou responsabilização e botar a mão na massa com as tarefas práticas que temos pela frente.”
“O que fazemos agora e nos anos seguintes afetará profundamente os próximos milhares de anos”, acrescentou.
Mas estes são tempos de ativismo jovem na forma de pessoas como a sueca Greta Thunberg, de 17 anos, e movimentos como o Extinction Rebellion, um grupo de ativismo ambiental contra a “extinção das espécies”.
Embora Attenborough tenha questionado se formas mais disruptivas de protesto poderiam ter um impacto negativo na causa, ele disse à BBC que simpatiza com esse tipo de campanha.
“Claro que concordo com a mensagem deles. É uma questão de o que é sensato para persuadir outras pessoas a se juntar a você”, explica ele.
“(Mas) não podemos tomar isso como uma desculpa para não fazer nada.”
Respeito mútuo entre ele e Greta Thunberg
Attenborough e Thunberg se conheceram em dezembro passado, quando a adolescente editou, como uma convidada, o programa Today da Radio 4, da BBC.
Foi um encontro virtual – ambos optaram por uma ligação pelo Skype para evitar aumentar suas pegadas de carbono viajando de aviões.
“Você alcançou o que as pessoas que trabalham com o meio ambiente não conseguiram em 20 anos”, disse o veterano a Thunberg.
“Sou muito grato a você. Todos nós somos.”
A sueca agradeceu a Attenborough por ser “uma inspiração”.
“Espero que você entenda a diferença que fez. Obrigada por dedicar sua vida a isso”, disse ela.
“Quando eu era mais jovem, documentários sobre o mundo natural e o que estava acontecendo, me fizeram decidir fazer algo sobre isso.” -

Até quando vai durar a onda de calor no Brasil?
Meterologistas disseram que massa de ar seco deve elevar temperaturas pelo menos até o fim desta semana. SP terá semana de calor e altas temperaturas
Celso Tavares/G1
Depois de um fim de semana com temperaturas mais amenas e chuvas nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, o calor retornou com força na maior parte do país já na segunda-feira (5). Mas até quando o calorão vai continuar?
Meteorologistas ouvidos pela BBC News Brasil disseram que ao menos até o fim desta semana.
Segundo os especialistas, a frente fria que chegou ao país no fim de semana não teve forças para derrubar as temperaturas no interior do país, mas apenas em Estados do Sul, leste de São Paulo, Rio de Janeiro e algumas regiões de Minas Gerais.
O meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Maicon Veber disse que nos próximos dias a atuação de uma intensa massa de ar seco na maior parte do país vai fazer as temperaturas subirem ainda mais.
“É algo típico para essa época do ano, na transição entre o inverno e a primavera. Temos o calor típico de uma estação mais quente, mas ainda com características do período mais seco”, afirmou.
Segundo ele, os radares meteorológicos apontam que a situação só deve mudar novamente a partir do dia 12, feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida.
“A previsão para daqui a sete dias é de chuvas e aumento da nebulosidade principalmente na região Centro-Oeste, no sul do Amazonas, além dos Estados do Acre e Rondônia”, afirmou o meteorologista.
João Basso, meteorologista do Climatempo, explica que a massa de ar seco inibe a formação de nuvens e isso aumenta o calor.
“Com o sol brilhando forte ao longo do dia e sem a nebulosidade para barrar o calor, as temperaturas se elevam. Estamos entrando na La Niña, um fenômeno que deve intensificar o período de tempo seco”, afirmou Basso.
Segundo Basso, os dados de satélites também apontam por dias menos quentes entre o fim do mês de outubro e início de novembro.
“Podemos dizer que nesta época ocorrerá um alívio no calor, já que estamos registrando temperaturas tão altas. A população vai perceber que o clima vai ficar mais parecido com a média para o ano. Mas não podemos falar em frio”, disse o meteorologista.
Temperaturas devem continuar altas até o fim da semana, segundo meteorologistas
Agência Brasil via BBC
Acima dos 40ºC
Mas até a chegada do alívio previsto para as temperaturas daqui uma semana, alguns Estados registrarão temperaturas acima dos 40ºC, principalmente aqueles localizados nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste do país.
“Muitas regiões devem passar dos 40ºC nesta semana, como o norte do Mato Grosso do Sul, Rondônia, Tocantins, Pará e Sul do Amazonas”, disse Maicon Veber, do Inpe.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as temperaturas máximas em Cuiabá ficarão acima dos 42ºC até sexta-feira, quando os termômetros podem chegar a 46ºC.
Poucas regiões poderão registrar pancadas de chuva ao longo desta semana. Isso pode acontecer, segundo o Inpe, em Curitiba, no litoral e na capital paulista e no Rio de Janeiro.
Segundo o meteorologista do Climatempo João Basso, as temperaturas máximas do interior do Estado de São Paulo e do Centro-Oeste devem ficar entre 5ºC e 7ºC acima da média nesta semana.
“Em São José do Rio Preto, no interior paulista, a média das máximas neste mês é de 31,6ºC. Nestes cinco primeiros dias, elas já passaram dos 37ºC, então já podemos esperar por um mês de outubro com temperaturas acima da média”, afirmou.
Basso diz que não é possível relacionar as queimadas que ocorrem no país há semanas com o aumento da temperatura a curto prazo.
“Mas se pensarmos no efeito estufa, a longo prazo, com certeza elas afetam”, afirmou. -

IEF anuncia regras para visitação na reabertura do Parque Estadual do Ibitipoca
Local seria reaberto no fim de setembro, mas um incêndio atingiu a região; visitantes podem visitar atrativos a partir desta quarta-feira (7). Veja como é feito o agendamento. Parque Estadual de Ibitipoca
Instituto Estadual de Florestas/Divulgação
O Instituto Estadual de Florestas (IEF) anunciou nesta segunda-feira (5) uma série de regras para visitação na reabertura do Parque Estadual do Ibitipoca. O local, que está fechado desde março, seria reaberto no fim de setembro, mas um incêndio atingiu a região. Na última semana, o órgão informou que os visitantes podem visitar os atrativos a partir desta quarta-feira (7).
Regras
De acordo com o IEF, as três principais regras são: a limitação de 500 pessoas por dia na unidade, o agendamento eletrônico para os três circuitos com atrativos abertos ao público; restrição de cinco pessoas no mesmo grupo. Já a área de camping, segue fechada. Veja abaixo outras medidas tomadas.
Atrativos
Circuito Janela do Céu
Nathalie Guimarães/G1
Para a trilha do “Circuito Janela do Céu” serão permitidos dois intervalos de saídas, em grupos de até 55 pessoas por vez. Estão disponíveis os horários de 7h e 9h diariamente.
Já na trilha do “Circuito Pico do Pião”, a Administração do local vai permitir três saídas: 8h, 10h e 12h. O número máximo de pessoas também será de 55 pessoas.
Na trilha do “Circuito das Águas”, os visitantes podem ir às 8h30, 10h30, 12h30 e 14h, com a limitação de 56 pessoas em cada hora. O agendamento é feito no site do parque.
Outras medidas
Conforme o órgão, o estacionamento do parque terá limitação de 25 veículos e as vagas serão preenchidas por ordem de chegada. Será obrigatório o uso de máscara durante todo o período que o visitante estiver no interior do local.
Segundo a gerente do parque, Clarice Silva, é importante que as pessoas evitem aglomerações e priorizem horários com menor circulação de pessoas.
“A preocupação do parque com relação à visitação nesse período de pandemia é a aglomeração na portaria, então o agendamento vem justamente para evitar. Nosso objetivo é minimizar os riscos à saúde dos visitantes, da equipe do parque e da comunidade local”, afirmou.
Ainda de acordo com o IEF, o agendamento eletrônico será obrigatório, mas o pagamento do ingresso de acesso ao parque deve ser feito na entrada da unidade.
O valor da entrada é de R$ 20 durante a semana e R$ 25 aos finais de semana e feriados. Já o valor cobrado pelo estacionamento é de R$ 20 para motocicletas, R$ 25 para veículos com até 7 pessoas e R$ 65 para veículos para mais de 7 pessoas. A área de camping segue fechada.
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Incêndio é registrado no Parque Estadual do Ibitipoca -

Água Clara (MS) bate recorde de temperatura; onda de calor extremo atinge cidades de SP, aponta Inmet
Água Clara bate recorde do ano com 44,6°C. Além disso, Inmet diz que a medição ‘entra para a história recente como a maior temperatura registrada no Brasil desde 2006’, que já tinha sido vista em Bom Jesus do Piauí. Uma nova onda de calor chega em São Paulo nesta segunda-feira (05), e deve permanecer até a próxima sexta-feira (09).
Aloisio Mauricio/FotoArena/Estadão Conteúdo
A cidade de Água Clara (MS) registrou 44,6°C nesta segunda-feira (5), recorde de temperatura na atual onda de calor no país, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
A marca, segundo o Inmet, também “entra para a história recente como a maior temperatura registrada no Brasil desde 2006”, empatando com medição anterior obtida em Bom Jesus do Piauí.
PREVISÃO DO TEMPO: confira situação na sua cidade
Outras cidades de Mato Grosso do Sul também registraram recordes e calor acima dos 40°C nesta segunda. Além de MS, o calor extremo também atingiu regiões do estado de São Paulo.
Outros marcos registrados nesta segunda, segundo o Inmet:
Campo Grande (MS) – 41°C, novo recorde histórico, superando os 40,8°C de quarta (30).
São Gabriel do Oeste (MS) – 42,3°C, recorde, marca anterior (41,3°C) era de domingo (4).
Coxim (MS) – 43,7°C, perto do recorde (44,1°C) registrado em 30/09.
Paranaíba (MS) – 43,6°C, novo recorde, maior na série desde 1971 (anterior era de 30/09 com 42,8°C).
Jales (SP) – 41,9°C, novo recorde, já que supera os 41,7°C verificados em 30/09.
No estado de São Paulo, outras medições acima dos 41°C ocorreram em Votuporanga (41,8°C), em Ibitinga (41,2°C) e em Barretos (41,1°C).
Na capital paulista, a temperatura máxima desta segunda-feira (5) no Mirante de Santana foi de 35,9°C, valor registrado perto das 15h, 5° maior valor do histórico de 1943-2020 para um mês de outubro.
Bons volumes de chuva são esperados em parte de SC e do PR, ao longo da semana
Bloqueio e previsão
Segundo o Inmet, a causa do calor extremo é um “bloqueio atmosférico que se instalou na área central do Brasil”. O calor continua intenso até a quinta-feira (8), mas o instituto diz que uma mudança gradual de padrão atmosférico ocorre a partir desta terça-feira.
“Embora o calor prossiga com força, ainda com potencial de recordes entre o centro-norte de SP e o nordeste do MS, gradual aumento de umidade, virá em parte através dos ventos de noroeste amazônicos que começam a ficar mais úmidos nesta época do ano, da brisa marítima que vem do Oceano Atlântico, de áreas de instabilidade e aproximação de frente fria do sul do País nos próximos dias”, explica o Inmet.
“Chuva mais regular e mais generalizada é prevista a partir da próxima quinta-feira e sobretudo a partir da sexta-feira (9) quando o padrão de bloqueio atmosférico deve ser rompido e a umidade alcança também o centro e Sudeste do país”, informa o instituto.
VÍDEOS: Natureza e meio ambiente -

Pandemia do plástico: Covid-19 joga no lixo sonho da reciclagem
Crise gerada pelo coronavírus intensificou uma guerra de preços entre produtores de plástico. Recicladores do mundo saíram perdendo. Toneladas de plástico são despejadas em centro de processamento em Seixal, Portugal, em foto de 7 de julho
Rafael Marchante/Reuters
A pandemia de coronavírus disparou uma corrida por plástico. De Wuhan a Nova York, a demanda por protetores faciais, vasilhames, luvas e embalagens disparou. E como a maior parte destes produtos não pode ser reciclada, seu destino final é o lixo.
Mas há outra consequência. A pandemia intensificou uma guerra de preços entre plástico reciclado e virgem, produzido pela indústria petroquímica. É uma guerra em que os recicladores do mundo estão perdendo, segundo dados de preços e executivos.
“As pessoas estão enfrentando muitas dificuldades”, disse à Reuters o presidente-executivo da Fukutomi Recycling, de Hong Kong, e presidente da Associação de Descarte de Plástico.
O motivo para isso é que o ciclo de criação de quase todo plástico começa com combustível fóssil. A desaceleração da economia global derrubou a demanda por petróleo, induzindo uma derrocada nos preços de plásticos virgens.
Desde 1950 o mundo produziu 6,3 bilhões de toneladas de lixo plástico e 91% disso nunca foi reciclado, segundo levantamento da revista científica Science. A maior parte desse material é difícil de ser reciclada e muitos recicladores dependem há muito tempo de incentivos governamentais. Já o plástico virgem custa metade do preço do plástico reciclado mais comum.
Plástico no fundo do mar perto da ilha de Andros, na Grécia, em foto de julho de 2019
Stelios Misinas/Arquivo/Reuters
Desde o surgimento da pandemia de Covid-19, mesmo garrafas de bebidas feitas de plástico reciclado, o tipo mais reciclado, se tornaram menos viáveis. O plástico reciclado para produzi-las está 83% a 93% mais caro que uma garrafa nova, segundo dado da Independent Commodity Intelligence Services (ICIS).
Além disso, a pandemia atingiu a disposição de muitos políticos ao redor do mundo de manterem uma guerra contra o plástico de uso único.
O plástico, cuja maior parte dele não se decompõe, é um motor da mudança climática. A produção de quatro garrafas plásticas libera mais gases de efeito estufa do que dirigir por cerca de 1,5 quilômetro, segundo o Fórum Econômico Mundial. Os EUA incineram seis vezes mais plástico do que reciclam, segundo pesquisa de 2019 produzida por Jan Dell, um engenheiro químico e ex-vice-presidente da Comissão Federal dos EUA para o Clima.
E o coronavírus acentuou a tendência de se criar mais, não menos, lixo plástico.
Demanda por plástico tende a crescer
Garrafas plásticas no lixo de Manila, nas Filipinas, em foto de 20 de julho
Eloisa Lopz/Reuters
A indústria petrolífera planeja investir cerca de US$ 400 bilhões nos próximos cinco anos em fábricas que produzem matérias-primas para fabricar plástico virgem, segundo estudo de setembro do centro de pesquisa Carbon Tracker.
Isso ocorre porque, conforme a eletrificação de veículos ganha força e reduz a demanda por combustível, a indústria petrolífera espera que o aumento da demanda por plástico possa assegurar o crescimento da demanda por petróleo e gás. O setor conta com uso crescente de plásticos pela população mundial.
“Ao longo das próximas décadas, o crescimento da população e da renda devem criar mais demanda por plásticos”, disse a porta-voz da ExxonMobil Sarah Nordin à Reuters.
A maior parte das companhias afirma que se preocupa com lixo plástico, mas os investimentos delas em esforços de redução são só uma fração dos recursos aplicados na produção de plástico.
A Reuters pesquisou 12 das grandes empresas químicas do mundo: Basf, Chevron, Dow, Exxon, Formosa Plastics, Ineos, Shell LG Chem, LyondellBasell, Mitsubishi Chemical, Sabic, e Sinopec. Apenas parte delas deu detalhes sobre quanto investem em redução do lixo que seus produtos criam. Três não responderam.
A maior parte disse que está canalizando esforços num grupo chamado Alliance to End Plastic Waste (Aliança pelo Fim do Lixo Plástico), também apoiado por companhias de produtos de consumo e que prometeu US$ 1,5 bilhão nos próximos cinco anos para cumprir o objetivo que deu nome à organização. A petroquímica brasileira Braskem faz parte do grupo.
Trabalhadores recolhem lixo em Manila, Filipinas, em 20 de julho
Eloisa Lopez/Reuters
Os 47 membros da aliança, a maior parte da indústria do plástico, tiveram uma receita combinada de quase US$ 2,5 trilhões no ano passado, segundo levantamento da Reuters.
No total, os compromissos anunciados pela Aliança e pelas empresas consultadas pela Reuters representam menos de US$ 2 bilhões em 5 anos, ou meros US$ 400 milhões por ano.
“Países com infraestrutura insuficiente para lidar com gestão de lixo e reciclagem estarão pouco equipados perante volumes crescentes de lixo plástico”, disse Lisa Beauvilain, diretora de sustentabilidade da Impax Asset Management, gestora com US$ 18,5 bilhões sob administração.
“Estamos literalmente nos afogando em plástico”, acrescentou.
Recicladores veem perdas
Latas separadas para reciclagem em Seixal, Portugal, em foto de 7 de julho
Rafael Marchante/Reuters
Desde a pandemia, recicladores no mundo afirmaram à Reuters que seus negócios afundaram, em mais de 20% na Europa, em 50% em partes da Ásia e até 60% no caso de algumas empresas nos EUA.
Greg Janson, da QRS, no Estado norte-americano de Missouri, disse que os EUA se tornaram um dos lugares do mundo mais baratos na produção de plástico virgem.
“A pandemia exacerbou este tsunami”, disse ele.
Enquanto isso, um porta-voz do grupo química alemão Basf afirmou que “capacidade de produção mais alta não significa necessariamente mais poluição”.
PLAYLIST: Veja vídeos sobre natureza e meio ambiente -

Harpia achada por motorista é devolvida à natureza, em RO
Ave com cerca de sete meses de vida foi achada perto de castanheira, em Ariquemes. Motorista entregou harpia à secretaria do meio ambiente, que cuidou e instalou dispositivos para monitorar gavião. Um filhote de harpia foi devolvido à natureza em Ariquemes
Um filhote de harpia, achado na beira de uma estrada rural, foi devolvida à natureza na região de Ariquemes (RO), Vale do Jamari.
A ave de cerca de sete meses foi encontrada por um motorista no mês de setembro. Em entrevista à Rede Amazônica, Edislson Nascimento contou como ocorreu esse encontro nada convencional.
“Eu estava indo fazer uma entrega. Na volta eu encontrei essa ave na estrada perto de um pé de castanheira. Aí fui encostando e eu achei diferente. Aí eu falei para o meu companheiro: ‘Acho que ele tá doente’. Eu tinha visto numa reportagem que esse bicho tava em extinção, estavam tentando cuidar da espécie. Quando cheguei perto da harpia ela voou uns 100 metros e depois caiu, dentro da mata. Daí peguei uma toalha no carro, abafei e peguei a ave. Coloquei então na gaveta do gavião e trouxe ele pra casa”, disse.
Harpia é solta na natureza em Ariquemes, RO, após ser resgatada
Rede Amazônica/Reprodução
Após o resgate, o motorista Edislson decidiu entregar o gavião real na Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Na secretaria, a equipe constatou que a harpia tinha cerca de sete meses de vida e pesava cerca de cinco quilos.
Segundo os biólogos da pasta, o filhote provavelmente caiu na beira da estrada quando tentava fazer os primeiros voos após a saída do ninho.
Durante cerca de duas semanas a ave recebeu tratamento na Secretaria de Meio Ambiente e, no fim de setembro, a equipe decidiu soltá-la na natureza.
Porém, antes de ser devolvida na natureza, foram instalados na harpia dois dispositivos de identificação e localização para que ela possa ser monitorada daqui pra frente.
Filhote de harpia voa após ser solta em Ariquemes, RO
Rede Amazônica/Reprodução
É o primeiro gavião real oficialmente cadastrado em Ariquemes e o primeiro a receber dispositivo de localização no estado de Rondônia.
Uma bióloga do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia, coordenadora do Projeto Harpia, veio do Amazonas para orientar o momento da soltura e instalar os dispositivos no animal.
“A partir do dispositivo de localização, que tem um GPS, a gente consegue localizar o ponto onde o gavião está em tempo real”, diz a bióloga Tânia Sanaiotti.
Harpia é solta em Ariquemes, RO, após ser resgatada por motorista
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De volta ao seu habitat, a harpia estranhou a movimentação e ficou desconfiada. Foram mais de duas horas ali, observando, até finalmente levantar voo e ficar de galho em galho na mata, antes de ir de volta para o ninho.
Harpia bate voo após ser solta na natureza em Ariquemes, RO
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Senadores aprovam convite para Salles prestar esclarecimentos sobre incêndios no Pantanal
Ministro do Meio Ambiente não é obrigado a comparecer. Comissão que acompanha queimadas no bioma também quer ouvir o diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro. A Comissão Temporária Externa de acompanhamento das ações de enfrentamento aos incêndios no Pantanal aprovou nesta quarta-feira (30) um convite ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, para ele esclarecer à comissão as medidas adotadas pelo governo para contenção e prevenção das queimadas.
O requerimento foi apresentado pela senadora Soraya Thronicke (PSL-MS). No pedido, ela afirma que a ida de Salles ao Congresso também dará “subsídios acerca da adequação da legislação atual que rege as políticas de proteção da flora e fauna da região, de modo a identificar o real anseio do povo pantaneiro”.
Por se tratar de convite, Salles não é obrigado a comparecer. Os parlamentares também aprovaram um convite para o diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, Valdir Colatto, comparecer à comissão.
Os senadores também querem realizar uma audiência pública sobre as ações de enfrentamento às queimadas.
O procurador-geral da República, Augusto Aras, será convidado para participar do evento ao lado do procurador-geral de Justiça do Mato Grosso, José Antônio Borges Pereira, e do procurador-geral de Justiça de Mato Grosso do Sul, Alexandre Magno Benites de Lacerda.
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Casos de violência dobram e invasões de terras indígenas crescem 135% entre 2018 e 2019, diz conselho
Conselho Indigenista Missionário (Cimi) apresentou novo relatório sobre situação dos povos brasileiros nesta quarta (30). Principal motivação para invasões é a exploração ilegal de madeira e desmatamento. Indígena protesta com foto de Paulo Paulino Guajajara, ‘guardião da floresta’ morto em emboscada o Maranhão no ano passado
Tiago Miotto/Cimi
Os casos de violência contra indígenas dobraram entre 2018 e 2019 e as invasões de suas terras cresceram 135% no mesmo período, de acordo com um novo relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) divulgado nesta quarta-feira (30). O documento é resultado de uma apuração feita com as entidades e associações dos povos sobre a situação dos índios no Brasil.
Veja os destaques:
Em 2019, foram 256 casos de invasões ‘possessórias, exploração ilegal de recursos e danos ao patrimônio em territórios indígenas’. Em 2018, haviam sido 109 casos. Isso representa alta de 135% no ano passado.
Essas invasões ocorreram em 151 terras indígenas, de 143 povos, em 23 estados do país.
Entre essas 256 invasões, 107 também apresentaram danos ao meio ambiente.
Foram 276 casos de violência direta contra indivíduos indígenas no ano passado. Em 2018, 110. O número dobrou.
Foram praticados diversos tipos de violência: abuso de poder (13); ameaça de morte (33); ameaças várias (34); assassinatos (113); homicídio culposo (20); lesões corporais dolosas (13); racismo e discriminação étnico cultural (16); tentativa de assassinato (24); e violência sexual (10).
Foram 133 suicídios entre indígenas em 2019, contra 32 casos registrados no ano anterior. Os estados do Amazonas (59) e Mato Grosso do Sul (34) são os mais afetados.
A mortalidade infantil (0 a 5 anos) saltou de 591 mortes em 2018, para 825 no ano passado.
O Cimi destaca os registros de Mato Grosso do Sul, estado com a 2ª maior população indígena do país e líder no número de homicídios entre seus povos no ano passado. Quarenta integrantes e líderes foram assassinados. “Constata-se que em 2019 a população indígena de Mato Grosso do Sul continuou sendo alvo de constantes e violentos ataques, em que há até mesmo o registro de práticas de tortura, inclusive de crianças”, disse o relatório.
O líder Paulo Paulino Guajajara também foi um dos casos de invasão e homicídio em 2019. Em 1º de novembro, ele morreu em uma emboscada na Terra Indígena Arariboia, na região de Bom Jesus das Selvas (MA).
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Paulo Paulino “Lobo Mau” Guajajara morreu no local
Sarah Shenker/Survival International
“A enorme repercussão nacional e internacional do assassinato de Paulo Paulino Guajajara (…) expôs, mais uma vez, que a situação de tensão naquele estado atinge níveis alarmantes. Invadidos e saqueados há décadas, os territórios tradicionais do Maranhão refletem uma realidade que se espalha e se agrava em todo o país” – Cimi.
O relatório ainda apresenta as motivações para as invasões de terra. As cinco mais comuns: exploração ilegal de madeira/desmatamento (89 registros); garimpo e exploração mineral (39); criação de fazendas agropecuárias (37); incêndios (31); e pesca predatória (31).
Em nota, a Fundação Nacional do Índio (Funai) disse “que a pesquisa em questão não tem base em dados oficiais nem possui metodologia científica, carecendo, portanto, de legitimidade. O levantamento do Cimi objetiva claramente, de forma leviana, propagar mentiras em âmbito nacional e internacional sobre a atual política indigenista brasileira”.
Disse, ainda: “a situação social dos indígenas hoje é uma prova do fracasso da política indigenista de governos anteriores e que esta gestão tem trabalhado incansavelmente para proteger e promover os direitos dos povos indígenas do Brasil”.
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Além disso, a Covid
Neste ano, as entidades relatam ainda mais mortes entre os povos indígenas – mesmo sem contabilizar os conflitos de terra. A Covid-19 foi adicionada à violência e às invasões.
Em uma estimativa que não contabiliza os índios que moram em áreas urbanas, a Secretaria Saúde Indígena (Sesai), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, aponta que 443 pessoas morreram em todo o país até 17h desta terça-feira (29). A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) contabiliza quase o dobro: 833 óbitos de índios devido à doença, com 33.935 casos confirmados também até terça-feira.
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