A Polícia Federal aponta que a relação pessoal entre o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e o empresário Daniel Vorcaro teria sido determinante para viabilizar aplicações de cerca de R$ 3,7 bilhões do Rioprevidência no Banco Master.
As informações constam na decisão judicial que derrubou o sigilo da investigação da Operação Compliance Zero.
Segundo o documento, a relação entre Castro e Vorcaro “ultrapassou o mero contato institucional”, indicando possíveis tratativas ilícitas relacionadas aos investimentos realizados pelo fundo previdenciário estadual.
Viagens, encontros e influência política
A investigação aponta encontros frequentes entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro, inclusive em ambientes privados e viagens internacionais custeadas pelo banqueiro.
De acordo com a PF, esses encontros coincidiam temporalmente com aportes bilionários feitos pelo Rioprevidência no Banco Master.
Os investigadores afirmam ainda que a proximidade teria garantido “alinhamento político necessário” para liberação dos investimentos.
Nomeações estratégicas no Rioprevidência
Segundo a decisão, houve influência direta em nomeações para cargos estratégicos dentro do Rioprevidência, incluindo:
- presidência;
- diretoria de investimentos;
- gerência de investimentos.
Para a PF, essas alterações permitiram decisões alinhadas aos interesses do Banco Master, mesmo diante de alertas técnicos e recomendações contrárias.
Investigações apontam irregularidades
A investigação afirma que os investimentos ocorreram em desacordo com políticas internas e exigências regulatórias.
O documento cita:
- ausência de análises técnicas;
- credenciamentos considerados apenas formais;
- concentração excessiva de risco;
- uso de intermediários;
- continuidade dos aportes mesmo após alertas de órgãos de controle.
Segundo a PF, os recursos públicos foram direcionados para operações classificadas como “temerárias”.
Operação da PF
Nesta terça-feira (26), Cláudio Castro foi alvo de mandado de busca e apreensão em seu apartamento na Barra da Tijuca.
Dois celulares do ex-governador foram apreendidos.
A defesa de Cláudio Castro afirma que ele está à disposição da Justiça e sustenta que todos os atos de sua gestão seguiram critérios técnicos e legais.
Já o Banco Master nega irregularidades.







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