
Terracap desiste de comércio ao lado do Parque das Garças, no Lago Norte
Órgão sugeriu ao Ibram que crie um espaço urbano na área em questão, mas sem empreendimentos. Medida foi tomada após moradores serem ouvidos
**Terracap Desiste de Polo Comercial no Lago Norte e Propõe Parque Urbano ao Lado do Parque das Garças**
A Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap) anunciou, nesta segunda-feira (19/10), a desistência da criação de um polo comercial no espaço adjacente ao Parque Ecológico das Garças, na região do Lago Norte. A decisão, informada pelo órgão, foi motivada por demandas e manifestações de moradores locais, que se opunham ao empreendimento. Em vez de prosseguir com o plano inicial, a Terracap sugeriu ao Instituto Brasília Ambiental (Ibram) a transformação da área em um parque urbano, focado em lazer e convivência para a população.
O local em questão, conhecido como Polo 1 do Lago Norte, não abrigará mais o complexo comercial que estava previsto. Ao invés disso, a proposta apresentada pela Terracap ao Ibram visa a criação de um espaço com infraestrutura voltada para o lazer, incluindo quadras esportivas, parquinhos infantis, banheiros públicos e vestiários. Essa mudança de rumo representa uma vitória para a comunidade do Lago Norte, que vinha expressando preocupações com o impacto ambiental e social de um empreendimento comercial ao lado de uma unidade de conservação.
Além da sugestão de transformar a área em um parque urbano, a Terracap também propôs ao Ibram a adoção do próprio Parque das Garças por um período de dez anos. Essa iniciativa visa manter a categorização do espaço como unidade de conservação, garantindo a preservação de sua natureza. A proposta de adoção por parte do Ibram é crucial para a continuidade da proteção ambiental da área e para a integração do novo espaço de convivência com o parque existente.

Júlio César Reis, presidente da Terracap, explicou a decisão: “Decidimos desistir da implantação desse projeto e integrar esta área ao Parque das Garças, mantendo a gestão 100% pública a cargo do Ibram, dotando esta área adjacente ao parque de toda a infraestrutura necessária para que a população possa se apropriar do espaço”. A declaração reforça o compromisso da agência em atender às solicitações da comunidade e em promover o uso público e sustentável da área.
Caso o Ibram aceite a proposta de adoção, a Terracap se comprometeu a assumir de imediato a manutenção, a segurança e todos os investimentos necessários para que a população possa usufruir plenamente do novo espaço. Este comprometimento financeiro e operacional da Terracap é um ponto chave para a viabilidade da transformação da área, garantindo que a implementação e a conservação do parque urbano ocorram de forma eficiente e duradoura.
O Metrópoles procurou o Ibram para obter mais detalhes sobre o diálogo entre as pastas e as próximas etapas desse processo. Até o momento, a resposta do Ibram ainda estava sendo aguardada, mas a expectativa é que a proposta seja analisada com a devida atenção, dada a relevância para a comunidade e o potencial de valorização ambiental e urbana da região. A concretização desse plano dependerá da aceitação e da colaboração entre os dois órgãos.
É importante notar que o Plano de Ocupação para o Polo 1 do Lago Norte, que inicialmente previa o polo comercial, havia sido aprovado de forma unânime pelo Conselho de Planejamento Territorial e Urbano do DF (Conplan). Esse histórico demonstra que a reconsideração do projeto pela Terracap foi uma mudança significativa, refletindo a importância da escuta ativa à população e da capacidade de ajuste de planos governamentais frente às necessidades e desejos dos moradores.
A área em questão está localizada nos Trechos 15 e 16 do Setor de Habitações Individuais Norte (SHIN) e abrange 53.184,95 m². O plano original da Terracap para essa área adjacente ao Parque das Garças já previa a revitalização para se transformar em um espaço de convivência, com atividades que promovessem saúde e bem-estar. No entanto, o foco agora se desloca definitivamente de um empreendimento comercial para um uso exclusivamente público e ambiental.
Mesmo no plano anterior, algumas diretrizes já se assemelhavam à nova proposta, como a valorização do espelho d’água do lago como atrativo, a instalação de estações de aluguel de bicicletas e iluminação pública, e o plantio de espécies nativas do Cerrado para sombreamento e arborização. Essas implementações são elementos que provavelmente serão mantidos e até intensificados na nova concepção de parque urbano, reforçando o caráter sustentável e de lazer do futuro espaço.
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