Brasília, segunda-feira, 19 de outubro de 2026
Celina pede que professores não façam paralisação: "Momento de politização"

Celina pede que professores não façam paralisação: "Momento de politização"

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Paulo Fayad
Redator
19 de outubro de 2026
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Sinpro-DF convocou paralisação para quarta-feira (21/10), na Praça do Buriti, em defesa da autonomia das escolas

**Celina pede que professores não paralisem: "Momento de politização"**

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), fez um apelo público nesta segunda-feira (19/10) para que o Sindicato dos Professores (Sinpro-DF) desista da paralisação geral convocada para a próxima quarta-feira (21/10). A manifestação, marcada para a Praça do Buriti, ocorre a apenas quatro dias do segundo turno das eleições, que será realizado no domingo (25/10), e foi classificada pela governadora como um "momento de politização" que pode prejudicar a comunidade escolar e colocar a categoria em situação de confronto.

A declaração de Celina Leão foi dada durante uma caminhada de campanha na região do Pôr do Sol. A chefe do Executivo local manifestou sua preocupação com a data escolhida para a mobilização e o impacto que ela pode gerar em um período eleitoral tão próximo. "Eu faço um apelo ao sindicato para que não faça [a paralisação] é um momento de politização, quatro dias antes da eleição. É muito ruim, coloca a categoria em uma situação de confronto", afirmou a governadora, buscando desmobilizar o movimento sindical às vésperas do pleito.

O Sindicato dos Professores, por sua vez, convocou a paralisação para as 9h da quarta-feira, na Praça do Buriti, em defesa da autonomia das escolas. Segundo a entidade, todas as escolas públicas do Distrito Federal deverão aderir ao movimento, resultando na suspensão das aulas ao longo do dia. A adesão massiva, se confirmada, traria transtornos significativos para pais, alunos e toda a rotina da rede de ensino público do DF, especialmente em um período de final de ano letivo.

Metrópoles DF
Foto: Metrópoles DF

A governadora Celina Leão reconheceu a validade de diversas reivindicações apresentadas pelos professores e assegurou que está disposta a dialogar e negociar com a categoria. Contudo, insistiu que a mobilização deveria ser postergada para um momento mais oportuno, fora do contexto eleitoral. "Estou sempre disposta a atender tanto o sindicato quantos os professores. Sempre os respeitei. Agora a gente tem possibilidade de melhorar, fazer um novo momento. Mas uma paralisação quatro dias antes da eleição? Quem perde, principalmente, é a comunidade escolar", declarou, enfatizando que o maior prejuízo recairia sobre a população.

Entre as pautas levantadas pelo Sinpro-DF para justificar a paralisação geral dos profissionais da rede pública, destacam-se questões como o calendário escolar de 2027 e o concurso de remanejamento. Estas são pautas de caráter administrativo que impactam diretamente a organização e o corpo docente da educação pública, gerando incertezas entre os profissionais da área.

Além dessas demandas, o sindicato também levanta críticas a medidas que, segundo a entidade, afetam o planejamento escolar e a autonomia pedagógica das unidades de ensino. Outra questão sensível mencionada é a proibição de cartazes do Sinpro-DF nas escolas, o que o sindicato interpreta como uma tentativa de cercear sua comunicação e mobilização dentro do ambiente educacional, ferindo a liberdade de expressão sindical.

A convocação do Sinpro-DF detalha uma série de problemas estruturais e operacionais que, na visão da categoria, justificam a necessidade da paralisação. O sindicato cita questões como a superlotação nas salas de aula, o sucateamento da Educação Especial e Inclusiva, bem como da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Adicionalmente, são apontados problemas relacionados ao programa Educa-DF, a falta de estrutura e de condições de trabalho adequadas, o adoecimento dos profissionais da categoria e a precarização do trabalho como um todo.

A iminente paralisação, portanto, representa um ponto de tensão entre o governo do Distrito Federal e a categoria dos professores, colocando em lados opostos a urgência das demandas sindicais e o pedido de adiamento por parte do Executivo, que vê na data uma "politização" indevida. A situação gera um ambiente de incerteza para milhares de estudantes e suas famílias, que dependem da rede pública de ensino, e sublinha a complexidade das relações trabalhistas em períodos de efervescência política e eleitoral.

O desfecho dessa mobilização e o impacto das negociações futuras entre o governo e o Sinpro-DF terão consequências diretas na qualidade e na estabilidade do serviço educacional do Distrito Federal, afetando a rotina de milhões de cidadãos. A comunidade escolar aguarda os próximos passos com apreensão, enquanto a polarização política se entrelaça com as legítimas reivindicações dos profissionais da educação.