Brasília, quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Terceira mais votada no DF, Paula Belmonte decide ficar neutra no 2º turno para…

Terceira mais votada no DF, Paula Belmonte decide ficar neutra no 2º turno para…

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Paulo Fayad
Redator
8 de outubro de 2026
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Terceira mais votada no DF, Paula Belmonte decide ficar neutra no 2º turno para governo; PSDB libera apoio a Grass G1

Brasília registrou um novo capítulo na corrida eleitoral para o governo do Distrito Federal com a decisão da deputada federal Paula Belmonte, do Cidadania, de declarar neutralidade para o segundo turno. A parlamentar, que obteve a terceira maior votação na capital federal nas eleições de 2022, optou por não apoiar nenhum dos candidatos que disputam a cadeira do Palácio do Buriti na próxima etapa do pleito. Simultaneamente, o PSDB, partido que faz parte da federação com o Cidadania, liberou seus filiados e apoiadores para que possam manifestar suporte à candidatura de Leandro Grass (PV).

A postura de neutralidade de Paula Belmonte representa um ponto de inflexão na dinâmica eleitoral do Distrito Federal, especialmente considerando seu expressivo desempenho nas urnas. Ter sido a terceira mais votada confere à deputada uma base eleitoral considerável, cujo destino no segundo turno pode influenciar diretamente o resultado final. Sua decisão de não endossar nem o atual governador, Ibaneis Rocha (MDB), nem o candidato Grass (PV) deixa aberta a possibilidade de seus eleitores dividirem seus votos, buscarem novas opções ou mesmo optarem pela abstenção, fenômeno que pode ter relevância em pleitos apertados.

No que tange ao PSDB, a liberação para apoiar Leandro Grass aponta para um alinhamento parcial dentro do espectro político. Embora a federação Cidadania/PSDB não tenha formalizado um apoio conjunto, a permissão do PSDB para que seus membros se posicionem a favor de Grass indica uma inclinação por parte de uma parcela da al federação. Este movimento pode ser interpretado como uma tentativa de fortalecer a candidatura de Grass, capitalizando parte do eleitorado do centro e da centro-esquerda que viu em Belmonte uma alternativa no primeiro turno.

O contexto político de Brasília é intrincado, com um eleitorado que frequentemente busca por novas lideranças e que já demonstrou capacidade de surpreender em eleições passadas. A ausência de um posicionamento oficial e unificado da federação Cidadania/PSDB no segundo turno para o governo do DF, dada a neutralidade de Belmonte e a liberação do PSDB para Grass, reflete a complexidade das negociações e alianças pós-primeiro turno. Esta fragmentação de apoios dentro de uma mesma federação é um desafio para a articulação política e para a projeção de força no cenário eleitoral.

G1
Foto: G1

Para o eleitor do Distrito Federal, a decisão de Paula Belmonte e a do PSDB acrescentam uma camada de nuance à escolha a ser feita no segundo turno. Aqueles que votaram em Belmonte, por exemplo, agora precisam reavaliar suas opções sem a indicação de sua candidata. Essa situação pode levar a uma análise mais profunda das propostas dos dois remanescentes na disputa, Ibaneis Rocha e Leandro Grass, forçando o eleitor a tomar uma decisão mais autônoma, sem a influência direta de uma liderança expressiva do primeiro turno.

A neutralidade de Belmonte pode ter múltiplos impactos. Por um lado, ela evita associar sua imagem a um dos polos da disputa, o que poderia ser estratégico para futuras eleições ou para a manutenção de sua independência política. Por outro lado, a ausência de um endosso pode diluir a força de seu eleitorado, que agora se verá disperso. A liberação do PSDB em favor de Grass, por sua vez, pode conferir um impulso a esta candidatura, angariando votos de setores que buscam uma alternativa à gestão atual.

A dinâmica observada no DF também pode ser um indicativo das dificuldades que partidos de centro enfrentam para se posicionar de forma coesa em cenários polarizados de segundo turno. A federação Cidadania/PSDB, ao apresentar uma divisão em sua abordagem, reflete a diversidade de interesses e as diferentes estratégias que podem ser adotadas por seus membros. Tal cenário sublinha a autonomia que líderes regionais podem exercer mesmo dentro de estruturas partidárias mais amplas.

Em termos de análise final, a neutralidade de Paula Belmonte e a liberação do PSDB para Grass no segundo turno da eleição para o governo do Distrito Federal injetam mais imprevisibilidade na disputa. A ausência de um apoio robusto de uma candidata com votação expressiva do primeiro turno significa que os eleitores que a escolheram precisarão tomar suas próprias decisões, potencialmente fortalecendo a importância das plataformas e propostas individuais dos candidatos remanescentes. Este cenário destaca a autonomia do eleitorado brasiliense e a fluidez das alianças políticas em fases decisivas do pleito.

A corrida para o Palácio do Buriti, portanto, permanece aberta, com as estratégias dos candidatos no segundo turno sendo cruciais para a atração desses votos "órfãos" ou direcionados. A forma como Ibaneis Rocha e Leandro Grass conseguirão dialogar com esse eleitorado que votou em Belmonte e como Grass poderá capitalizar o apoio liberado do PSDB serão fatores determinantes para o resultado final da eleição no Distrito Federal.

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