Brasília, quarta-feira, 7 de outubro de 2026
Mais votado no DF, Fábio Felix não conseguiu 'puxar' nenhum colega do PSOL para a…

Mais votado no DF, Fábio Felix não conseguiu 'puxar' nenhum colega do PSOL para a…

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Paulo Fayad
Redator
7 de outubro de 2026
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Fábio Felix, em sessão na Câmara Legislativa do DF Sara Marques/Agência CLDF No Distrito Federal, o candidato mais votado para a Câmara não conseguiu "puxar" nenhum colega de partido para o Legislativo federal. Fábio Felix (PSOL) recebeu 224.224 votos no domingo (4): a terceira maior votação da história do DF para um deputado federal; 100 mil votos a mais que o segundo colocado; mais de 90% dos votos para candidatos à Câmara da federação PSOL-Rede na capital. O problema no cálculo está, justamente, nesse último ponto. A segunda candidatura mais votada do grupo PSOL-Rede, da Enfermeira Karine (PSOL), recebeu apenas 4.366 votos – desempenho bem abaixo do mínimo necessário para que ela se beneficiasse do excedente de votos de Fábio. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 no WhatsApp. Essa regra se chama "quociente eleitoral" (veja o cálculo em detalhes mais abaixo). No DF, ela exige que um candidato tenha pelo menos 20,7 mil votos próprios para receber um mandato. O número varia em cada unidade da Federação e em cada eleição. A federação PSOL-Rede não foi a única prejudicada. Segundo mais votado no DF, Rafael Prudente (MDB) se reelegeu com folga e recebeu 119.427 votos, mas também será o único representante do partido na bancada do DF da Câmara. Oito deputados federais foram eleitos pelo DF Quem conseguiu 'puxar' aliados? Terceiro mais votado, Alberto Fraga (PL) recebeu 118.579 votos. E o PL, ao todo, 448.883. Com isso, o PL terá uma bancada de três deputados, sendo um deles por média – ou seja, pelo cálculo do quociente eleitoral: o atual senador Izalci Lucas, que recebeu 88.056 votos. ➡️ Izalci, sozinho, teve a quinta maior votação do DF. No entanto, segundo o sistema do TSE, ele só garantiu a cadeira em razão do somatório de votos do PL. A soma de votos do partido – no caso, da federação – também garantiu uma vaga extra para o grupo PT-PV-PCdoB. A federação terá duas cadeiras: uma ocupada pelo ex-governador Agnelo Queiroz (PT), eleito com votação própria (43.542), e outra, pelo deputado federal reeleito Reginaldo Veras (PV), com 43.179 votos. Somadas, as candidaturas da federação amealharam mais de 230 mil votos, o que garantiu os dois mandatos. No caso de Reginaldo Veras, mesmo com a diferença de menos de 500 votos para Agnelo, o que garantiu a eleição foram as "sobras" dos votos dados aos colegas. Como funcionam os puxadores de votos? O número de vagas que um partido pode ocupar na Câmara dos Deputados depende de dois cálculos: o quociente eleitoral e o quociente partidário. ➡️Essa regra não vale para o Senado. Lá, a eleição é majoritária como a de presidente e governador: quem tiver mais voto é eleito, e ponto. Os estados e o Distrito Federal têm um número definido de parlamentares na Câmara a cada mandato – ao todo, são 513. O DF tem oito cadeiras. Por isso, ao fim da votação, o total de votos válidos (1.659.057) foi dividido por oito. O resultado, 207.382, é o quociente eleitoral do DF para a Câmara em 2026. A partir desse número, são calculados os dois parâmetros que definem a distribuição das vagas. ➡️O total de votos recebidos por um partido/federação e por suas candidaturas é dividido pelo quociente eleitoral – e isso define o número de cadeiras. Por exemplo: o MDB recebeu 214.223 votos ao todo e, por isso, garantiu uma vaga. ➡️Em seguida, o TSE gera a lista de mais votados de cada partido/federação e começa a preencher as cadeiras. Mas, para entrar, um candidato precisa ter recebido pelo menos 10% dos votos do quociente eleitoral. No caso do cálculo acima, pelo menos 20.738 votos. ➡️Como esses cálculos não são exatos, ao fim, algumas cadeiras ficam vazias. Começa, então, a distribuição das sobras eleitorais. Aqui, o total de votos do partido/federação é dividido pelo total de cadeiras ocupadas, e quem tiver o maior resultado (a maior média) leva aquela vaga. O cálculo tem muitas etapas e, por isso, é feito pela própria Justiça Eleitoral. Para simplificar, basta entender que a federação PSOL-Rede recebeu 239.437 votos, e a federação PT-PV-PCdoB, 237.155 – 2,8 mil a menos. Esses números garantiram uma vaga direta para cada grupo – e, na rodada das sobras eleitorais, garantiriam uma vaga extra para PSOL-Rede. O problema é que, à exceção de Fábio Felix, nenhum outro candidato desses dois partidos recebeu os 20,7 mil votos necessários. Por isso, a vaga foi perdida pelas siglas. Deputados do PSOL são os mais votados para a CLDF e a Câmara Federal Quadro se repetiu Brasil afora Em outras unidades da Federação, os puxadores de votos do PSOL também não conseguiram usar toda a votação para reforçar suas bancadas. Em São Paulo, Erika Hilton foi a segunda candidata mais votada, com 1,5 milhão de votos. O PSOL fez seis cadeiras, mas também esbarrou na falta de candidaturas que superassem os 10% do quociente eleitoral. Lá, além de Erika, os votos também se concentraram na reeleição de Sâmia Bonfim. Por lá, a federação PT-PV-PCdoB fez quase 200 mil votos a menos que PSOL-Rede, mas conseguiu preencher 11 cadeiras – havia mais candidatos aptos por terem atingido a votação própria mínima. Em Minas Gerais, o PL deu um "exemplo oposto": conseguiu eleger 21 deputados a partir do resultado recorde de Nikolas Ferreira, "puxador" com mais de 3 milhões de votos. Dos 16 deputados eleitos com menor votação em MG, 15 são do PL. Um deles, o Sargento Mello-Casal, conquistou um mandato tendo recebido 25.090 votos. Enquanto isso, Cassio Soares (PSD) recebeu 100.410 votos, mas não foi eleito. Em Minas, a federação PT-PV-PCdoB fez 13 eleitos, sendo 3 por média (o cálculo das sobras eleitorais). PSOL-Rede fizeram duas cadeiras, ambas por votação própria. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Fábio Felix (Psol) foi o deputado federal mais votado no Distrito Federal, com 224.224 votos. No entanto, seu partido não elegeu outros representantes na unidade.

Isso ocorreu porque os outros candidatos do PSOL não atingiram a votação mínima. Enfermeira Karine (PSOL) obteve 4.336 votos, mas precisava de 20,7 mil.

Em contraste, o PL obteve 448.883 votos e elegeu 3 deputados federais no Distrito Federal. Para isso, eleitores distribuíram os votos entre diferentes candidatos.

Cenários parecidos ocorreram em São Paulo, com Erika Hilton (PSOL), e em Minas Gerais, onde o PL elegeu 21 deputados federais.

Fábio Felix, em sessão na Câmara Legislativa do DF — Foto: Sara Marques/Agência CLDF

No Distrito Federal, o candidato mais votado para a Câmara não conseguiu "puxar" nenhum colega de partido para o Legislativo federal.

a terceira maior votação da história do DF para um deputado federal;100 mil votos a mais que o segundo colocado;mais de 90% dos votos para candidatos à Câmara da federação PSOL-Rede na capital.

O problema no cálculo está, justamente, nesse último ponto. A segunda candidatura mais votada do grupo PSOL-Rede, da Enfermeira Karine (PSOL), recebeu apenas 4.366 votos – desempenho bem abaixo do mínimo necessário para que ela se beneficiasse do excedente de votos de Fábio.

Essa regra se chama "quociente eleitoral" (veja o cálculo em detalhes mais abaixo).

G1 DF
Foto: G1 DF

No DF, ela exige que um candidato tenha pelo menos 20,7 mil votos próprios para receber um mandato. O número varia em cada unidade da Federação e em cada eleição.

A federação PSOL-Rede não foi a única prejudicada. Segundo mais votado no DF, Rafael Prudente (MDB) se reelegeu com folga e recebeu 119.427 votos, mas também será o único representante do partido na bancada do DF da Câmara.

Terceiro mais votado, Alberto Fraga (PL) recebeu 118.579 votos. E o PL, ao todo, 448.883.

Com isso, o PL terá uma bancada de três deputados, sendo um deles por média – ou seja, pelo cálculo do quociente eleitoral: o atual senador Izalci Lucas, que recebeu 88.056 votos.

➡️ Izalci, sozinho, teve a quinta maior votação do DF. No entanto, segundo o sistema do TSE, ele só garantiu a cadeira em razão do somatório de votos do PL.

A soma de votos do partido – no caso, da federação – também garantiu uma vaga extra para o grupo PT-PV-PCdoB.

A federação terá duas cadeiras: uma ocupada pelo ex-governador Agnelo Queiroz (PT), eleito com votação própria (43.542), e outra, pelo deputado federal reeleito Reginaldo Veras (PV), com 43.179 votos.

Somadas, as candidaturas da federação amealharam mais de 230 mil votos, o que garantiu os dois mandatos. No caso de Reginaldo Veras, mesmo com a diferença de menos de 500 votos para Agnelo, o que garantiu a eleição foram as "sobras" dos votos dados aos colegas.

O número de vagas que um partido pode ocupar na Câmara dos Deputados depende de dois cálculos: o quociente eleitoral e o quociente partidário.

➡️Essa regra não vale para o Senado. Lá, a eleição é majoritária como a de presidente e governador: quem tiver mais voto é eleito, e ponto.

Os estados e o Distrito Federal têm um número definido de parlamentares na Câmara a cada mandato – ao todo, são 513.

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