Brasília, domingo, 30 de agosto de 2026
Grileiros avançam sobre berço de nascentes em área de preservação do DF

Grileiros avançam sobre berço de nascentes em área de preservação do DF

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Paulo Fayad
Redator
30 de agosto de 2026
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A região próxima ao Privê Lago Norte II e vizinha da Serrinha do Paranoá tem importante papel hídrico e é alvo de invasões há anos

Áreas cercadas e muradas, casas de alvenaria já erguidas, postes de energia e árvores recém-cortadas mostram o interesse econômico em uma das regiões mais sensíveis do ponto de vista ambiental do Distrito Federal. O local, próximo ao Privê Lago Norte II e vizinho à Serrinha do Paranoá, abriga diversas nascentes responsáveis por recarga hídrica, inclusive, de águas que chegam ao Lago Paranoá.

A grilagem no local não é novidade. Ao longo dos últimos anos, órgãos públicos realizaram autuações, operações e vistorias para desmontar as estruturas ilegais. O cenário atual, no entanto, não mostra uma diminuição dessas invasões: árvores recém cortadas, cercamentos, demarcação de lotes e diversas casas erguidas.

Chama atenção o endereço: a região, em um local considerado estratégico para a preservação dos recursos hídricos do DF, está imediatamente ao lado do Parque Distrital da Serrinha, criado em abril deste ano pelo Governo do Distrito Federal (GDF). O parque foi criado justamente com o objetivo de proteger áreas de recarga de aquíferos, nascentes e bacias dos córregos Urubu e Jerivá.

Segundo o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), as ocupações no local já duram anos. Em uma das operações de fiscalização do órgão, feita em setembro de 2021, foram detectados 55 pontos de ocupação.

O acompanhamento seguiu nos anos seguintes: de 2022 a 2025. Em maio de 2026, foram identificadas aberturas de acessos, alguns desses fechados por correntes, e cercamentos feitos com estacas de madeira e arame.

A região pertence à área de Preservação Ambintal (APA) do Lago Paranoá

Cercas de madeira, arame, bambu e delimitação de terra são perceptíveis

Há possibilidade de que queimada próximas às invasões seja para facilitar loteamento

Várias casas estão sendo erguidas no local; materiais de construção foram vistos no local

Metrópoles DF
Foto: Metrópoles DF

Morador que vive nas proximidades relatou que já chegou a ter a própria energia elétrica desviada – o chamado “Gato de energia”, por moradores que usufruem das invasões, tendo inclusive sofrido prejuízo por quedas de energia frutos do desvio.

Exceto pelas áreas regulamentadas por concessão de uso, a energia elétrica avança para os lotes invadidos mesmo com o emabargo e proteção das terras.

Procurada, a Terracap informou que identificou as ocupações e comunicou os órgãos responsáveis para que fossem tomadas providências.

“A Terracap informa que identificou as ocupações e notificou o DF Legal, Ibram e ICMBio a promoverem as providências necessárias na área que é parque”, declarou a companhia.

O Ibram afirmou que há dezenas de registros de ações fiscalizatórias na região, e que o histórico reúne diferentes tipos de atuação como demandas judiciais, ordens de serviço, vistorias periódicas, relatórios, autuações e operações integradas.

O instituto também informou que repudia novas ocupações e intervenções ambientais sem autorização e que continuará realizando ações de fiscalização e monitoramento.

Em nota, o DF Legal informou que tem ciência das ocupações irregulares no local e que realizou quatro operações entre 2024 e 2025 para desconstituir obras iniciais e cercamentos novos na região e, desde então, segue monitorando novas construções.

O Parque Distrital da Serrinha, no entanto, não se trata da Serrinha do Paranoá, que ganhou notoriedade nos escândalos financeiros do Banco Master e sua relação com o Banco de Brasília (BRB) ao ser incluído no plano de capitalização do BRB.

Frequentadores e pessoas que acompanham a situação ambiental hoje ameaçada relataram que a área, apesar de sofrer invasões há anos, teve crescente interesse após a notoriedade com a tentativa de incorporação pelo BRB.

O terreno destinado para criação do parque, tem aproximadamente uma área de 66 hectares, enquanto a Gleba A, que corresponde ao terreno que seria capitalizado, possui uma área de 716 hectares.

O Ibram informou que as duas áreas estão incluídas no território da região: “Tanto a Gleba A quanto a área do Parque Distrital da Serrinha do Paranoá, bem como as suas zonas de amortecimento delimitadas pela poligonal publicada no decreto, fazem parte do conglomerado territorial denominado Serrinha do Paranoá.”