Brasília, domingo, 30 de agosto de 2026
ANÁLISE DE PAULO FAYAD: o horário eleitoral estreou e já mostrou que o Brasil vai…

ANÁLISE DE PAULO FAYAD: o horário eleitoral estreou e já mostrou que o Brasil vai…

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Paulo Fayad
Redator
29 de agosto de 2026
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Começou. Neste sábado (29), às 13h, o Brasil ligou a televisão e recebeu a primeira dose oficial dos 35 dias de horário eleitoral gratuito que vão até 1º de outubro, antevéspera do primeiro turno. Quatro nomes têm direito a tempo de rede na disputa presidencial: Lula (PT), com 5 minutos e 31 segundos; Flávio Bolsonaro (PL), com 4 minutos e 20 segundos; Ronaldo Caiado (PSD), com 2 minutos e 2 segundos; e Augusto Cury (Avante), com míseros 35 segundos. Todos os demais candidatos ficaram de fora da TV e do rádio por não atingirem a cláusula de desempenho — e isso, por si só, já é a primeira ferida que ninguém quer tocar.

A CLÁUSULA QUE FILTRA A DEMOCRACIA

Vamos ao ponto: a divisão do tempo não é feita pela qualidade da proposta, é feita pelo tamanho da bancada na Câmara. Quem tem estrutura partidária, fundo eleitoral e tempo de TV fala com 158 milhões de eleitores; quem não tem, grita na internet. Romeu Zema e Renan Santos, que agitaram o debate nas últimas semanas, simplesmente não existem no rádio e na TV. É legal? É. É saudável para a democracia? Essa é a pergunta que os partidos beneficiados nunca respondem.

O PRIMEIRO DIA FOI UM RETRATO CRUEL DA CAMPANHA

Nenhum dos quatro programas foi um programa de governo. Foram quatro comerciais de identidade. Lula vendeu trajetória e reconstrução. Flávio vendeu família, mulheres e segurança. Caiado vendeu coragem e o "caos" que diz ter enfrentado em Goiás. Cury vendeu a ideia de que os dois primeiros são a mesma doença. Propostas concretas, com número, prazo e fonte de financiamento? Quase nada. Ataque ao adversário? Desde o primeiro minuto.

O QUE A POPULAÇÃO DEVE EXIGIR NOS PRÓXIMOS 35 DIAS

Análise Paulo Fayad / TV Voz de Brasília
Foto: Análise Paulo Fayad / TV Voz de Brasília

O eleitor brasileiro chega a esta eleição com a conta do supermercado na mão, o boleto do plano de saúde no bolso e o medo da violência na esquina de casa. O horário eleitoral deveria servir para responder três perguntas simples: quanto custa, quem paga e quando entrega. Enquanto os programas forem trilha sonora emocionante e depoimento de vizinho, o eleitor estará sendo tratado como plateia, não como patrão.

A REGRA NOVA QUE MUITA GENTE VAI FINGIR QUE NÃO EXISTE

Esta é a primeira campanha presidencial com regras específicas para inteligência artificial. Deepfake é proibido, conteúdo sintético precisa ser rotulado. Aposte comigo: alguém vai testar o limite antes de outubro. A TV Voz de Brasília vai acompanhar cada peça e apontar quando a régua for esticada — de qualquer lado do tabuleiro.

O RECADO

O horário eleitoral não é presente de campanha, é dinheiro público em forma de renúncia fiscal às emissoras. Ou seja: quem paga esse espetáculo é o contribuinte. E quem paga tem direito de cobrar conteúdo, não novela. Nos próximos 35 dias, este portal vai fazer exatamente isso: colocar o dedo na ferida, um candidato por vez.

Análise de Paulo Fayad — TV Voz de Brasília. Opinião do autor, com base nos programas veiculados em rede nacional em 29/08/2026 e nas regras da Resolução TSE nº 23.610.