Brasília, quarta-feira, 7 de outubro de 2026
"Candidato da dedada", Wilker Leão fica só em 30º e não se elege deputado

"Candidato da dedada", Wilker Leão fica só em 30º e não se elege deputado

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Paulo Fayad
Redator
7 de outubro de 2026
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Conhecido por atrapalhar aulas na UnB, Wilker Leão recebeu menos de 12 mil votos e não se elegeu deputado federal

"Candidato da dedada", Wilker Leão fica só em 30º e não se elege deputado

O candidato a deputado federal Wilker Leão, que ganhou notoriedade por episódios controversos na Universidade de Brasília (UnB), não obteve sucesso em sua campanha eleitoral. Com menos de 12 mil votos, Leão, que concorreu pelo partido Novo, ficou na 30ª posição entre os postulantes a uma das oito cadeiras destinadas ao Distrito Federal na Câmara dos Deputados. Sua plataforma política centrava-se na bandeira de "mudar" a UnB, instituição onde protagonizou diversos incidentes. A derrota nas urnas encerra, pelo menos por ora, a tentativa de Leão de levar suas pautas do ambiente universitário para o cenário político nacional.

A figura de Wilker Leão se tornou pública e controversa após um episódio ocorrido em agosto deste ano, durante um comício realizado nas dependências da UnB, onde ele foi alvo de uma "dedada". As imagens do incidente, que circularam amplamente, mostraram Leão reagindo de forma agressiva. Após ser "dedado" por um estudante, o então candidato desferiu chutes contra o aluno envolvido no acontecimento. Este episódio marcante contribuiu para a construção de sua imagem pública durante o período eleitoral, tornando-o reconhecível por uma parcela do eleitorado, embora não o suficiente para garantir sua eleição.

A trajetória de Leão na UnB, no entanto, foi marcada por uma série de infrações que culminaram em sua expulsão da universidade em 2025. A decisão foi baseada na violação de regras internas dispostas na Instrução Normativa nº 01/2023, que regulamenta as Comissões de Processos Disciplinares. Entre as condutas que levaram à sua exclusão da instituição estavam a gravação não autorizada de professores, a humilhação de colegas de gênero e a constante perturbação do andamento das aulas. Tais comportamentos levantaram questões sobre sua adequação ao ambiente acadêmico e à convivência democrática.

Metrópoles DF
Foto: Metrópoles DF

Além das infrações disciplinares que levaram à sua expulsão, Wilker Leão também enfrentou problemas com a justiça. Em 27 de setembro, ele foi preso em flagrante pela Polícia Federal (PF) sob a acusação de depredação de patrimônio público da UnB. Na ocasião, Leão, ex-estudante da instituição, e um grupo de apoiadores foram flagrados apagando pinturas das paredes externas do Instituto de Artes (IdA). Este incidente adicionou uma camada de gravidade às suas ações na universidade, transformando suas condutas de âmbito disciplinar para o criminal, com a intervenção das forças de segurança.

A Universidade de Brasília se manifestou veementemente sobre os atos de vandalismo e violência. Em nota oficial, a instituição repudiou as ações praticadas por Wilker Leão e seus apoiadores, descrevendo-as como ilegais e covardes. A UnB informou que o protocolo de segurança foi acionado imediatamente, as forças policiais foram chamadas, resultando na prisão em flagrante pela Polícia Federal. A universidade garantiu que está tomando todas as providências administrativas e jurídicas cabíveis para a apuração dos fatos e a responsabilização dos envolvidos.

A nota da UnB prosseguiu com uma análise crítica sobre a natureza dos eventos, afirmando que "os acontecimentos deste domingo revelam que os métodos adotados pela extrema direita, além de ilegais, são covardes, porque só se viabilizam na impossibilidade do debate qualificado". Este posicionamento institucional sublinhou a defesa da convivência democrática e do debate construtivo, contrastando-o com as ações de Leão e seus apoiadores. A universidade enfatizou a importância da união da comunidade acadêmica em defesa de seus valores e espaços.

Em um gesto de apoio e solidariedade, a UnB também se dirigiu aos estudantes que foram agredidos durante os incidentes, garantindo que prestará todo o apoio necessário aos alunos envolvidos. A instituição reforçou seu compromisso inabalável com a proteção de sua comunidade, a preservação de seus espaços e a manutenção de uma convivência democrática, reafirmando sua postura contra a violência e a desordem. O resultado das eleições, onde Wilker Leão não obteve êxito, reflete uma rejeição a um estilo de atuação que gerou tanto embate e controvérsia na capital federal.

A falha em se eleger, mesmo com a notoriedade obtida através dos episódios na UnB, sugere que a imagem construída por Wilker Leão, marcada por atritos e confrontos, pode não ter ressoado positivamente junto ao eleitorado do Distrito Federal. Seus menos de 12 mil votos e a 30ª posição na corrida demonstram que a estratégia de basear a campanha em "mudar" a universidade, e os incidentes a ela associados, não foi suficiente para angariar o apoio popular necessário para uma vaga no legislativo federal.

Este desfecho eleitoral para Wilker Leão aponta para uma reflexão sobre a forma como figuras públicas ganham projeção e como essa projeção se traduz em apoio político. Os eventos na UnB, embora tenham gerado visibilidade, pareceram não se converter em capital político para o candidato do Novo, deixando-o fora da Câmara dos Deputados e consolidando a UnB como um palco para os debates, nem sempre pacíficos, da esfera pública brasileira.

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