Meio Ambiente

Ativista cria abaixo-assinado contra obra de complexo eólico perto de habitat de arara-azul-de-lear na BA

Segundo Glaucia Drummond, bióloga e superintendente geral da Fundação Biodiversitas, a arara-azul-de-lear é considerada uma espécie em perigo de extinção. Por meio de nota, empresa responsável explica que já realizou e permanece realizando diversos estudos para avaliação e monitoramento do meio ambiente. Arara-azul-de-lear é vista em local onde recebe tratamento e é treinada para ser reintroduzida com segurança à natureza
Marcelo Brandt/G1
A ativista da causa animal, Náthaly Marcon, de 18 anos, criou um abaixo-assinado contra a obra de um complexo eólico próximo ao habitat da arara-azul-de-lear, em Canudos, na caatinga baiana. Ela é estudante de auxiliar veterinário e teve conhecimento da construção durante uma pesquisa na internet.
Arara considerada extinta volta à caatinga ao lado de onças e outras espécies ameaçadas
“Assim que vi que um complexo eólico seria construído em Canudos, próximo ao habitat da arara-azul-de-lear, comecei a pesquisar mais sobre o assunto e vi que pode afetar muito a habitação dessas aves”, explica a ativista.
“Elas são animais que sentem, pensam e a gente tem um desejo de cuidar dos animais da nossa fauna”, relata.
No abaixo-assinado, a ativista destaca que o projeto do complexo prevê a instalação de 28 turbinas eólicas em um primeiro momento e outras 53 na segunda fase.
Ainda no texto, Náthaly explica que o empreendimento irá contar com uma rede de transmissão de energia de 50 km, que chegará até o município baiano de Jeremoabo, a cerca de 91 km de Canudos.
Ativista Náthaly Marcon é responsável por criar abaixo-assinado contra a construção do complexo eólico
Arquivo Pessoal
Até a última quinta-feira (15), a petição já contava com mais de 55 mil assinaturas.
De acordo com Débora Pinho, do site Change.org, onde o abaixo-assinado foi criado, as assinaturas estão sendo coletadas em três locais, dois deles são fora do Brasil.
“Estamos coletando assinaturas no Brasil, na França e nos Estados Unidos. Seguimos enviando a campanha para os nossos usuários por e-mail e compartilhando nas nossas redes sociais para que chegue cada vez mais, em mais pessoas, e ganhe mais adesões à causa”, explica.
Petição conta com mais de 55 mil assinaturas
Reprodução/Change.org
O G1 entrou em contato com o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e aguarda posicionamento.
Redescoberta da espécie e ameaça de extinção
O habitat da arara-azul-de-lear foi redescoberto em 1978, no Raso da Catarina, região norte da Bahia, pelo ornitólogo e naturalista alemão, que foi naturalizado brasileiro, Helmut Sick. [Assista ao vídeo no início da matéria]
Segundo Glaucia Drummond, bióloga e superintendente geral da Fundação Biodiversitas, uma Organização Não Governamental (ONG) que atua para a conservação da biodiversidade brasileira, em especial de espécies ameaçadas, a arara-azul-de-lear é considerada uma ave em perigo de extinção.
“Essa classificação é dada por uma organização global chamada União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), que desenvolveu um método de avaliação de risco de espécies”, explica.
“Isso justifica a proteção desses locais e a proteção dessa espécie”, completa Glaucia.
A Fundação Biodiversistas é coautora do abaixo-assinado e trabalha com o desenvolvimento de estudos científicos para avaliação do estado de conservação da biodiversidade e, também, de uma forma mais direta com projetos de recuperação de espécies ameaçadas de extinção.
“A arara-azul-de-lear é uma espécie brasileira, baiana, ela não ocorre em outro lugar do Brasil que não a caatinga da Bahia, ou seja, é um motivo de orgulho para nós brasileiros, para os baianos especialmente”, diz.
“É um dever do Estado proteger seu patrimônio biológico e, no caso da Bahia, a responsabilidade ainda é maior, porque é uma espécie que só ocorre nesse local”, ressalta.
De acordo com a bióloga, a maneira como a ONG trabalha para proteger as aves é por meio da proteção de ambientes que essas espécies utilizam para a sobrevivência.
“A Estação Biológica de Canudos, na Bahia, é um exemplo dessa estratégia. Nós iniciamos nossos trabalhos nessa região entre 1991 e 1992, então são 30 anos já, quando a arara-azul-de-lear foi redescoberta nessa região”, comenta.
“Nessa época, havia 50 indivíduos da arara-azul-de-lear e hoje temos 1,8 mil indivíduos. Muito desse resultado se deve às ações contínuas e constantes da Fundação Biodiversistas, de proteger esses ambientes, e também de fazer um trabalho de conscientização ambiental regional sobre a importância da espécie, da preservação dessa espécie no ambiente da caatinga”, diz Glaucia.
No local, a ONG é responsável em proteger os locais de dormitório e os sítios reprodutivos, locais que as araras usam para fazer os ninhos. Elas utilizam cavidades em paredões.
Arara-azul-de-lear utiliza cavidades em paredões
Arquivo TG
Glaucia também explica que, além da Estação Biológica de Canudos, é possível encontrar a arara-azul-de-lear na Estação Ecológica Raso da Catarina, que é do governo federal, do ICMBio.
Segundo ela, tem araras também em outras localidades, na mesma região do Raso da Catarina, só que são populações pequenas, não estabelecidas. São locais que as aves usam para se alimentar ou descansar.
“No entanto, a maior quantidade de indivíduos está na Estação Biológica de Canudos, da Biodiversistas, ou na Estação Ecológica Raso da Catarina, do ICMBio”, completa.
‘Risco iminente’
Casal de arara-de-lear sobrevoa caatinga baiana
Ciro Albano/Fundação Biodiversitas
Para a bióloga, a construção de um complexo eólico em Canudos pode ser fatal para as araras que sobrevoam no local.
“O que a gente teme é que essas araras possam colidir, possam se chocar, com essas torres, com esses geradores em funcionamento”, relata.
“No Brasil, a energia eólica é considerada relativamente nova, então não temos tantos estudos que mostrem a ameaça dessa infraestrutura para os diversos grupos de fauna”, completa.
Glaucia ainda explica que em países que estão mais avançados no emprego desse tipo de energia, existem resultados claros no número de acidentes de aves, morcegos e insetos com as estruturas de parques eólicos.
“Para a gente é muito claro que esse risco é iminente, porque o local de construção desse complexo eólico é exatamente na rota em que as araras utilizam para se dispersarem para as áreas de alimentação”, diz.
Araras saem todos os dias em pares ou bandos para áreas de alimentação
Ciro Albano/Fundação Biodiversitas
Segundo a bióloga, as araras saem todos os dias entre 4h30 e 6h, em pares ou bandos, para áreas de alimentação, pois elas se alimentam de um recurso específico, que é palmeira de licuri.
“Ao cruzarem essa área, ali estaria a zona eólica. Então, o nosso receio, é que nesse movimento possa haver um choque e a morte de indivíduos. Para uma população que é pequena, a morte de um indivíduo faz muita diferença”, ressalta.
“A gente tem insistido muito para que o Inema exija da Voltalia, que é a empresa empreendedora, que os estudos sejam feitos antes da instalação do parque. No entanto, o Inema parece ter pulado essa etapa, pois a empresa tem a licença para instalação, mas não fez os estudos devidos”, comenta.
Ainda segundo Glaucia, a Fundação Biodiversitas tem conversado com a empresa e insistido para que essa necessidade seja respeitada.
“Além do respeito, é uma exigência. A legislação ambiental sobre esse tipo de parque, empreendimento elétrico, exige que haja estudos detalhados em territórios com a presença de espécies ameaçadas de extinção. Então a gente gostaria muito que o Inema desse a atenção real e importância devida a esse caso”, relata.
“O que pedimos é que a empresa, uma multinacional francesa, chegando em território brasileiro, que eles respeitem as normas do nosso país, mas para isso os nossos órgãos e gestores têm que contribuir também”, finaliza.
O que diz a empresa
Parque da Voltalia no Rio Grande do Norte
Divulgação/Voltalia
Ao G1, a Voltalia Energia do Brasil relata que possui licença de instalação e que já começou a obra para viabilização do parque eólico. Ele [o parque] deve entrar em comissionamento no final do primeiro semestre de 2022.
Por meio de nota, a empresa explica que já realizou e permanece realizando diversos estudos para avaliação e monitoramento de potenciais impactos na região, com propostas de ações de controle e preservação, reafirmando o compromisso com o meio ambiente.
Sobre a petição, a multinacional informa que está ciente das assinaturas e ressalta que está aberta ao diálogo para apresentar o projeto e os programas que estão em andamento. O intuito da empresa é tornar o processo transparente para a sociedade e órgãos competentes.
Ainda em nota, a Voltalia diz que está desenvolvendo os Programas de Conservação da arara-azul-de-lear e Conservação do Licuri, principal alimento das aves, em parceria com a Qualis Consultoria.
De acordo com a empresa, as premissas dos programas foram baseadas no Plano de Ação Nacional para a Conservação das Aves da Caatinga, com orientação do ICMbio/CEMAVE e demais entidades. Os investimentos em ações socioambientais de preservação e conservação são planejados para todo o período de vida útil do projeto e, até o momento, a Voltalia investiu cerca de R$ 2 milhões e pretende permanecer investindo durante a operação do parque.
A empresa explica ainda que tem realizado reuniões periódicas com toda a comunidade e autoridades (locais e estaduais) e ratifica que está à disposição de todos os segmentos da sociedade para apresentar o projeto e as contribuições socioambientais para a região.
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