A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais pode produzir efeitos políticos imprevisíveis no Brasil, segundo avaliação do professor Dawisson Belém Lopes, da Universidade Federal de Minas Gerais.
O especialista afirma que ainda é cedo para medir os impactos eleitorais da medida, especialmente para o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro.
Possível ganho político na segurança pública
Segundo o professor, Flávio pode ganhar espaço no debate sobre segurança pública, tema que costuma ter forte apelo junto ao eleitorado brasileiro.
Por outro lado, ele avalia que adversários poderão argumentar que a medida representa uma dependência de apoio externo para lidar com problemas internos do país.
Sanções podem atingir aliados econômicos
Na avaliação de Dawisson Lopes, um dos riscos é que eventuais sanções financeiras decorrentes da classificação alcancem empresários, investidores e instituições eventualmente relacionados, ainda que indiretamente, a operações investigadas envolvendo organizações criminosas.
O professor afirma que o movimento pode acabar atingindo setores influentes da economia brasileira e produzir efeitos políticos diferentes dos inicialmente pretendidos.
Especialista vê impacto limitado
Apesar das preocupações, o pesquisador considera improvável uma ruptura significativa nas relações entre Brasil e Estados Unidos.
Ele destaca que o Brasil possui sistema financeiro robusto, autonomia institucional e forte relação comercial com diversos parceiros internacionais, especialmente a China.
Segundo o professor, a experiência recente do México, que teve cartéis classificados como organizações terroristas pelos EUA, sugere que os impactos práticos podem ser mais limitados do que muitos imaginam.
Debate segue no centro da disputa eleitoral
A decisão americana foi anunciada após reuniões de Flávio Bolsonaro com o presidente Donald Trump e com autoridades do governo norte-americano.
O tema passou a ocupar espaço central no debate político brasileiro, envolvendo discussões sobre segurança pública, soberania nacional e relações internacionais.
Fonte: g1 / BBC Brasil







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