Os Estados Unidos passaram a tratar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como “ameaças significativas à segurança regional”, em avaliação que leva em conta o envolvimento das facções com tráfico de drogas, crime organizado e atuação transnacional. A informação foi divulgada neste início de semana e reacendeu o debate sobre uma eventual classificação dos grupos como organizações terroristas.
A discussão não é nova. Em maio de 2025, o governo brasileiro já havia rejeitado um pedido semelhante apresentado por representantes do Departamento de Estado norte-americano, argumentando que as facções não se enquadram na definição jurídica de terrorismo adotada no Brasil. Na ocasião, autoridades brasileiras sustentaram que PCC e CV são organizações criminosas, mas não grupos motivados por razões religiosas, raciais ou ideológicas, como exige a legislação brasileira para esse enquadramento.
Nos bastidores políticos, o tema ganhou novo peso porque aliados do bolsonarismo passaram a defender publicamente que os EUA adotem uma linha mais dura contra as facções. Reportagem publicada nesta terça-feira aponta que integrantes do campo bolsonarista vêm pressionando Washington para classificar PCC e CV como organizações terroristas, enquanto o governo Luiz Inácio Lula da Silva tenta barrar a medida por temer impactos jurídicos, diplomáticos e econômicos.
Entre as preocupações do governo brasileiro estão o risco de bloqueio de ativos, restrições ao sistema financeiro e até brechas para ações mais agressivas dos EUA em nome do combate ao crime organizado. O temor é que uma designação formal como terrorismo produza efeitos que ultrapassem a área de segurança pública e atinjam a soberania brasileira e relações bilaterais sensíveis. Isso ajuda a explicar por que o assunto tende a entrar na pauta de uma futura conversa entre Lula e Donald Trump, embora a data desse encontro ainda não tenha sido confirmada.
A pressão internacional ocorre em um momento de avanço das investigações e do monitoramento sobre o crime organizado brasileiro fora do país. Segundo a Reuters, os EUA vêm ampliando o olhar sobre a presença do PCC e do CV em seu território e em rotas internacionais, inclusive com menções a células em estados norte-americanos, tráfico de armas e lavagem de dinheiro. O movimento reforça a dimensão geopolítica que o tema passou a ter.




