Levantamento internacional aponta que 12 dos 26 países que já confirmaram participação no Conselho da Paz, proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, são classificados como regimes autoritários ou híbridos, segundo índices globais de democracia utilizados por organismos internacionais. O dado levanta questionamentos sobre a legitimidade política e os critérios adotados para a formação do novo fórum.
O Conselho da Paz foi anunciado inicialmente com o objetivo de monitorar o cessar-fogo e a reconstrução da Faixa de Gaza, mas o próprio Trump indicou que o grupo pode ter atuação ampliada para outros conflitos internacionais. A expansão do escopo, somada ao perfil político de parte dos integrantes, tem gerado críticas de diplomatas, analistas e governos aliados dos EUA.
Entre os países classificados como autoritários ou parcialmente autoritários estão nações do Oriente Médio, Ásia Central, Leste Europeu e África, muitas delas apontadas por relatórios internacionais por restrições a liberdades civis, concentração de poder no Executivo e fragilidade institucional. Especialistas avaliam que essa composição pode comprometer a credibilidade do conselho como instância legítima de mediação de conflitos globais.
A iniciativa também é vista como um possível enfraquecimento do multilateralismo tradicional, especialmente do papel da Organização das Nações Unidas (ONU). Países europeus como França, Noruega e Suécia já recusaram formalmente o convite. O Brasil, que também foi convidado, ainda avalia sua posição, diante do receio de que o conselho funcione como uma estrutura paralela à ONU, concentrando decisões estratégicas sob liderança americana.




