Nos cálculos do órgão, a Formação Bruta de Capital Fixo recuou 11,4% no trimestre móvel terminado em abril. Os investimentos produtivos na economia abriram o segundo trimestre em queda, depois de um bom desempenho no começo do ano, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Divulgado nesta quinta-feira pela entidade, o Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) recuou 18% entre março e abril, feito o ajuste sazonal.
Obra da construção civil em Campinas
Guilherme Gongra
O número do Ipea é uma “proxy” do que seria o comportamento mensal da FBCF, uma medida das Contas Nacionais do que se investe em máquinas e equipamentos, construção civil e inovação. Ela é calculada em bases trimestrais pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) junto ao resultado do Produto Interno Bruto (PIB).
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De janeiro a março, conforme já publicado pelo órgão, esse componente do PIB subiu 4,6% ante o último trimestre de 2020, na comparação dessazonalizada.
Nos cálculos do Ipea, a FBCF caiu 11,4% no trimestre móvel terminado em abril. Já na comparação com igual trimestre de 2020, os investimentos aumentaram 24%, enquanto a comparação entre abril de 2021 e igual mês do ano anterior mostra alta de 39,1%. No acumulado em 12 meses, o Indicador Ipea de FBCF subiu 6,9%.
Segundo Leonardo Mello de Carvalho, pesquisador responsável pelo índice, os resultados negativos na margem e no trimestre móvel foram influenciados por forte retração nas importações. Esse movimento foi explicado pela base de comparação elevada em março, quando ainda foram contabilizadas compras externas “fictas” de plataformas de petróleo associadas ao Repetro, explica Carvalho.
Esse regime aduaneiro especial facilita as importações dos bens destinados à exploração de petróleo. Após uma mudança nas regras do Repetro, plataformas que já estavam em território nacional, mas eram registradas por empresas do setor em suas subsidiárias no exterior, passaram ser “importadas” de forma contábil e incorporadas à FBCF, o que inflou as estatísticas de investimento do país.
Na passagem mensal, o Ipea estima que o consumo aparente de máquinas e equipamentos – que é a soma da produção nacional e da importação desses bens, descontadas as exportações – diminuiu 33,5%. Enquanto a fabricação nacional aumentou 5,3% de março para abril, as importações encolheram 84%, destaca o economista.
“Após o forte ajuste envolvendo as chamadas importações fictas em março, que inflaram as importações neste período, o efeito foi quase nulo em abril, explicando a queda na margem”, afirmou Carvalho. Nos três meses terminados em abril, o consumo interno de máquinas também teve desempenho negativo e caiu 13,7%. Em 12 meses, porém, ainda há crescimento expressivo, de 12,7%.
Já os investimentos em construção civil, que são o outro componente da FBCF, recuaram 2,5% em abril ante o mês anterior na série dessazonalizada do Ipea. Nos três meses encerrados em abril, o Indicador Ipea de FBCF aponta redução de 4,6% no setor.
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