As fortes chuvas que atingiram o Distrito Federal na tarde e noite de quarta-feira (5) provocaram uma série de transtornos em diversas regiões administrativas, com alagamentos, quedas de árvores, transbordamento de bueiros e prejuízos materiais. Segundo dados do Sistema de Monitoramento de Chuvas Urbanas Intensas (Simcurb), da Adasa, os maiores volumes de precipitação foram registrados em São Sebastião, Itapoã e Varjão.
Em São Sebastião, moradores da Quadra 307 enfrentaram momentos de desespero com a força da enxurrada. A água desceu pelas vias com violência, arrastando barro, entulho e ameaçando invadir residências. Imagens gravadas por moradores mostram adultos e crianças tentando conter o avanço da água com meios improvisados, como enxadas e pedaços de madeira, em uma tentativa de evitar danos maiores.
O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal informou que atendeu ocorrências relacionadas à queda de árvores em pelo menos três regiões: Sobradinho, Jardim Botânico e áreas próximas ao Paranoá. Em uma das situações mais graves, na Estância Portal da Serra, no Jardim Botânico, uma árvore atingiu parte de uma residência. Apesar do impacto, não houve registro de feridos, apenas danos materiais.
Em Ceilândia, os prejuízos foram ainda mais evidentes. O temporal causou alagamentos em vias movimentadas, incluindo a Avenida Carlos Prates, onde uma mulher chegou a ser arrastada pela enxurrada. Próximo à Estação Guariroba, um carro ficou parcialmente submerso. O motorista de aplicativo José Nazareno relatou que precisou abandonar o veículo às pressas ao perceber que o automóvel começou a boiar, conseguindo sair apenas pela porta traseira.
Moradores da QNN 38, também em Ceilândia, afirmam que os alagamentos são recorrentes há anos e denunciam problemas estruturais no sistema de drenagem. Segundo relatos, bueiros estouram durante chuvas intensas, a água invade casas e há riscos constantes de acidentes. Além dos danos materiais, a população relata contato frequente com água contaminada, aumentando a preocupação com a saúde pública.
No Setor P Sul, a enxurrada transformou a Avenida P2 em um verdadeiro rio, assustando motoristas e pedestres. Moradores relataram sentimentos de medo, insegurança e revolta, afirmando que, durante o período chuvoso, sair de casa se torna um risco. Em nota, a Novacap informou que realiza manutenção contínua nas redes de drenagem e anunciou a preparação de projetos para ampliação do sistema em Ceilândia e em regiões de Taguatinga.




