A Polícia Federal encontrou, durante busca e apreensão na 13ª Vara Federal de Curitiba, documentos e mídias que reforçam suspeitas de que o ex-juiz Sergio Moro determinou a realização de grampos telefônicos e ambientais contra autoridades com foro de prerrogativa de função entre 2004 e 2005. Entre as provas está um despacho judicial em que Moro orienta um delator a tentar “novamente” gravar o então presidente do Tribunal de Contas do Paraná, Heinz Herwig, alegando que as gravações anteriores não atendiam aos “fins pretendidos”.
Segundo a investigação, o material apreendido inclui relatórios de inteligência e transcrições de escutas envolvendo, além do presidente do TCE-PR, desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e políticos com foro privilegiado. Pela legislação, essas autoridades só poderiam ser investigadas mediante autorização do Superior Tribunal de Justiça, o que não ocorreu. Parte relevante desse conteúdo teria sido mantida fora dos autos oficiais e só foi localizada agora pela PF.
A apuração foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli, após reiterados pedidos do Supremo Tribunal Federal por documentos que não haviam sido encaminhados à Corte, mesmo após a saída de Moro da magistratura. O procedimento tramita sob sigilo e analisa denúncias de que delatores teriam sido usados para monitorar autoridades fora do alcance legal do então juiz, com possível objetivo de pressão. Moro nega irregularidades e afirma que as acusações se baseiam em relatos fantasiosos de um delator condenado.





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