Brasília, domingo, 6 de setembro de 2026
UM HOMEM CONTRA O SISTEMA | André Mendonça tenta virar a mesa

UM HOMEM CONTRA O SISTEMA | André Mendonça tenta virar a mesa

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Paulo Fayad
Redator
5 de setembro de 2026
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Brasília, 5 de setembro de 2026. Há momentos na história de um país em que um só homem resolve dizer o que todos os outros preferem engolir. André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal, decidiu ser esse homem. Sozinho entre onze, quebra sigilos, escreve o que ninguém escreve, aponta o dedo onde ninguém aponta. É a voz destoante do tribunal mais poderoso do Brasil — um homem tentando, contra tudo e contra todos, passar o país a limpo. E a pergunta que fica é aquela que todos nós, no fundo, já sabemos responder: no que vai dar isso? Em nada. Em absolutamente nada.

O Brasil tem uma característica que nenhuma Constituição registra, mas que todos conhecem de cor: o pacto. O sistema se protege. Sempre se protegeu. Quando alguém se insurge contra ele, o destino é conhecido — é engolido, isolado, processado; e se der azar, pega quatorze anos de prisão, ou muito mais. O sistema não perdoa quem tenta virar a mesa. O sistema digere. Mendonça será engolido como todos os que tentaram antes dele — e a história registrará apenas que alguém tentou.

Um homem contra um sistema. A última vez que vimos algo assim, Ele foi crucificado, morto e sepultado... felizmente, vive até hoje. André Mendonça, porém, ainda não fez tantos discípulos como Jesus e talvez reste apenas o seu rastro pela eternidade — o registro de que tentou. Oremos.

O cansaço de um país inteiro

E enquanto isso, o que faz a população? Fica caladinha, quietinha, esperando passar. Estamos em pleno período eleitoral e, em poucos dias, teremos um novo presidente. As pessoas estão exaustas de tanta agressão, tanto xingamento, tanta perseguição, mandos e desmandos vindos de todos os lados. Ninguém aguenta mais abrir o jornal: são filhos de autoridades envolvidos nisso e naquilo, rachadinhas, filmes megamilionários, jatinhos para lá e para cá, bilhões circulando de mesa em mesa. A maior crise financeira do mundo se instalou no país e ninguém é sequer capaz de dizer de quanto é o rombo. Mas todos sabem da corrupção desenfreada que assola estados e prefeituras. No Rio de Janeiro, nas últimas décadas, praticamente todos os governadores foram presos — e hoje todos estão aí, candidatos de novo, como se nada tivesse ocorrido.

Meu Deus, tende misericórdia do Brasil. Deste país em que todos querem morar, deste país diferenciado — sim, diferenciado — onde o poder é tão grande, tão bom, tão doce, que homens suportam anos de prisão para não abrir mão dele. Fazem alianças obscuras, tretas inimagináveis, negociatas de toda espécie. E seguem no jogo.

Análise original TV Voz de Brasília
Foto: Análise original TV Voz de Brasília

Quem tentou frear — e não conseguiu

Seja feito justiça aos que tentaram: o governo Lula tentou dar transparência à verba pública, limitando o Orçamento e freando a farra das emendas parlamentares. O ministro Flávio Dino, no STF, tentou colocar um freio nesse mesmo festim — pegou a batata quente e ela esfriou na mão. Não deu em nada. A máquina engoliu a tentativa e seguiu funcionando. As entidades sérias, aquelas que chegam onde o Estado não chega, não recebem crédito nem recurso; mas as que se locupletam do dinheiro público, em larga escala, seguem sendo beneficiadas. Eis o retrato.

Quantos escândalos já contamos neste ano? E aqui vai a previsão mais triste desta análise: daqui a dois ou três dias acontece outro, e esta crise do Supremo — que hoje parece o fim do mundo — será esquecida. Engavetada pela próxima manchete. Vamos ver. Infelizmente, vamos ver.

A profecia que reafirmo

É por tudo isso que volto ao que escrevi neste espaço, quando quase ninguém tinha coragem de dizer o óbvio: o Brasil só tem uma saída digna nesta eleição, e ela atende pelo nome de Augusto Cury. Um homem ilibado, sem processo, sem rachadinha, sem jatinho, sem esqueleto no armário — a única candidatura que não precisa explicar o passado, porque o seu passado são livros, pacientes e milhões de vidas transformadas. Num país onde todo mundo está, de alguma forma, enrolado com o sistema, o único que não pertence ao sistema é o único que pode derrotá-lo.

Reafirmo aqui, ponto por ponto, o que profetizei: Augusto Cury será o próximo presidente do Brasil — e será no primeiro turno. Não porque eu queira. Mas porque ninguém, absolutamente ninguém, aguenta mais.

André Mendonça que lute. A história registrará que alguém tentou. O sistema registrará que engoliu mais um.

Paulo Fayad é jornalista e editor-chefe do Portal Voz de Brasília.