Brasília, domingo, 4 de outubro de 2026
Médica manda trancar pacientes em enfermaria para impedir voto: "Petistas"

Médica manda trancar pacientes em enfermaria para impedir voto: "Petistas"

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Paulo Fayad
Redator
4 de outubro de 2026
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Médica é denunciada ao Ministério Público Federal (MPF) por orientar retenção de pacientes por motivação política em maternidade de Goiânia

Médica ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade Municipal Célia Câmara, em Goiânia (GO), foi denunciada ao Ministério Público Federal (MPF) por orientar a retenção de pacientes internadas, impedindo suas altas hospitalares sob motivação política. A profissional teria justificado a medida alegando que a maioria das pacientes seria simpatizante do Partido dos Trabalhadores (PT), configurando uma tentativa de interferir no processo eleitoral. A denúncia foi protocolada ainda na sexta-feira pelo advogado Alan Henrique Silva Marques, com base em conversas de WhatsApp de um grupo interno da unidade de saúde.

A orientação explícita da médica ocorreu na tarde de sexta-feira, dia 2 de outubro, por volta das 16h58, em uma mensagem enviada ao grupo de WhatsApp que reúne profissionais da saúde da unidade. Na ocasião, ela instruiu que quem estivesse de plantão na enfermaria no sábado e no domingo não concedesse alta a nenhuma paciente. A justificativa apresentada foi a suposta preferência partidária das internadas, acompanhada de uma figurinha do ex-presidente Jair Bolsonaro fazendo sinal de positivo, o que reforça a natureza política da demanda.

A mensagem da médica gerou um engajamento imediato e preocupante entre os membros do grupo. Pelo menos 12 pessoas reagiram à postagem com emojis de riso, afirmação e a bandeira do Brasil, indicando algum nível de concordância ou aprovação. Além das reações visuais, dois colaboradores responderam diretamente por texto: o primeiro, em tom de brincadeira, concordou dizendo “combinado”, enquanto o segundo enviou emojis de gargalhada, demonstrando apoio à orientação ou achando graça na situação.

Essa conduta de teor político na rede interna da maternidade não foi um fato isolado, conforme revelado pela denúncia. A mesma médica já vinha utilizando o grupo para fins eleitorais desde a noite anterior. Na quinta-feira, às 20h58, a profissional fez alusão ao número 22, referente à candidatura do então presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), prometendo uma nota máxima no rodízio de medicina a quem votasse no candidato. Ela publicou que quem digitasse 22 no domingo finalizaria o rodízio com nota 10.

Metrópoles DF
Foto: Metrópoles DF

Essa postagem anterior, também de cunho eleitoral, recebeu 16 reações variadas dos membros do grupo, incluindo corações, emojis de continência e bandeiras do Brasil, além de um comentário de apoio, reiterando a aceitação de condutas de doutrinação política dentro de um ambiente profissional e de serviço público. O padrão de comportamento indica uma utilização contínua do canal de comunicação interna para promover pautas partidárias.

A gravidade da situação reside na tentativa de retenção de pacientes em uma instituição de saúde pública por motivações ideológicas, o que potencialmente fere o direito de ir e vir dos indivíduos e contraria os princípios éticos da medicina e da administração pública. A denúncia ao MPF busca investigar a conduta da médica, que pode configurar crime eleitoral ou improbidade administrativa, além de colocar em xeque a imparcialidade e a integridade do serviço de saúde prestado à população.

A denúncia formal ao MPF foi apresentada na mesma sexta-feira em que a médica enviou a mensagem sobre a retenção das altas, pelo advogado Alan Henrique Silva Marques. O conteúdo das conversas no grupo de WhatsApp foi repassado ao jurista por um interno de medicina subordinado à médica, que, por questões de segurança e temor de retaliação, optou por manter o anonimato. A corajosa atitude do interno foi fundamental para trazer à tona o caso e iniciar a apuração dos fatos.

Este episódio ressalta a importância da vigilância sobre a utilização de ambientes profissionais para a propagação de ideologias políticas, especialmente em setores sensíveis como a saúde pública. A mistura de atuação profissional com proselitismo político, particularmente quando envolve a restrição de direitos fundamentais de pacientes, exige uma pronta e rigorosa investigação das autoridades competentes para garantir a ética e a legalidade nas instituições.

A comunidade e as instituições de fiscalização aguardam os desdobramentos da investigação do MPF, que deverá apurar a fundo as responsabilidades e as possíveis sanções cabíveis para a médica e para os profissionais que apoiaram a conduta. A garantia de que o ambiente de saúde seja neutro e focado exclusivamente no bem-estar do paciente é um pilar fundamental da sociedade, e casos como este demonstram a necessidade de constante atenção para que tais valores sejam preservados.

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