Brasília, sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Major dos bombeiros usava trabalhadores de associação em obra particular

Major dos bombeiros usava trabalhadores de associação em obra particular

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Paulo Fayad
Redator
23 de outubro de 2026
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Sindicância apontou uso de funcionários e recursos da Apam do Colégio Militar Dom Pedro II em benefício próprio

Um major do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal foi punido com cinco dias de prisão disciplinar após a conclusão de uma sindicância instaurada para apurar desvios de conduta no exercício de funções administrativas. O oficial Alexandre Felipe Zeidan utilizou funcionários e recursos da Associação de Pais, Alunos e Mestres do Colégio Militar Dom Pedro II em proveito próprio. A apuração conduzida pelas autoridades apontou que a mão de obra ligada à entidade civil foi direcionada para a realização de serviços voltados a interesses estritamente particulares do militar, resultando na aplicação da sanção administrativa no âmbito da corporação.

Conforme as informações apuradas, os trabalhadores da entidade foram empregados diretamente em intervenções e obras destinadas a atender demandas pessoais do major. Durante a execução de um desses trabalhos particulares, um dos funcionários acabou sofrendo um corte no momento em que manuseava uma serra elétrica. Na época em que os episódios se desenrolaram, Alexandre Felipe Zeidan ocupava a posição de tesoureiro na diretoria da associação escolar, posto que lhe conferia atribuições de gestão sobre os bens e os colaboradores contratados pela representação de pais e mestres.

Além da utilização indevida da força de trabalho para reformas privadas, o oficial passou a ser alvo de denúncias adicionais relativas à destinação dos veículos que pertenciam à entidade. Relatos encaminhados apontaram que o major teria utilizado um dos automóveis da instituição para trabalhar como motorista de transporte por aplicativo. Os denunciantes afirmaram ainda que o tesoureiro teria adquirido um veículo fazendo uso do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica da entidade e recorrido ao cartão corporativo vinculado à instituição escolar para custear o abastecimento de combustível.

Metrópoles DF
Foto: Metrópoles DF

A conduta do bombeiro foi formalmente investigada pela Corregedoria do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, que reuniu depoimentos e elementos comprobatórios ao longo do procedimento interno. Durante os interrogatórios e diligências da apuração, o próprio militar admitiu ter usado um veículo da associação para fazer o transporte de funcionários diretamente até a sua residência particular. O procedimento contou ainda com depoimentos de testemunhas que confirmaram a ocorrência de situações reiteradas nas quais colaboradores e recursos da entidade foram deslocados para atender às conveniências individuais do bombeiro militar.

Diante do conjunto de provas reunido pela comissão processante, o relatório oficial registrou formalmente a materialidade dos fatos levantados. No documento conclusivo, destacou-se que restaram confirmadas as condutas atribuídas a Zeidan, consistentes na utilização de trabalhadores vinculados à Apam e de recurso institucional em proveito próprio. O comportamento praticado pelo oficial foi enquadrado administrativamente como uma infração disciplinar de natureza grave. A respectiva penalidade disciplinar de prisão foi publicada no Boletim de Acesso Restrito de número 052, datado de 15 de outubro de 2026, com previsão de que a sanção ainda pode ser objeto de contestação por meio de recurso cabível.

Procurada para prestar esclarecimentos sobre as irregularidades apontadas, a Associação de Pais, Alunos e Mestres informou que Alexandre Felipe Zeidan deixou formalmente o cargo de tesoureiro em abril deste ano, não integrando mais os quadros de sua diretoria. A entidade anunciou a instauração de uma investigação interna destinada a examinar detalhadamente todas as ocorrências registradas ao longo do período em que o major atuou em sua administração. O objetivo central desse procedimento próprio é verificar a existência de eventuais prejuízos financeiros e, caso constatado algum dano material ao patrimônio coletivo, calcular o montante correspondente para exigir o devido ressarcimento, reafirmando que a instituição não compactua com irregularidades e atua com transparência e responsabilidade.

O comando do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal confirmou que o major foi submetido a processo administrativo motivado pelo uso irregular de funcionários pertencentes à associação. Em manifestação sobre a conclusão do processo, a corporação informou que o caso teve seu desfecho deliberativo na instância interna, mantendo-se, contudo, o prazo aberto para que a defesa exerça o direito de interposição de recurso contra a punição fixada. Em razão da observância ao direito de ampla defesa do oficial militar, a corporação optou por não divulgar outros detalhes ou especificidades referentes ao procedimento disciplinar.

A aplicação da penalidade e as providências anunciadas evidenciam a repercussão das condutas de agentes públicos no controle de entidades parceiras, abrindo caminho para medidas reparatórias e responsabilização disciplinar no Distrito Federal. Enquanto a apuração interna da instituição avança para definir o alcance das perdas e o CBMDF aguarda os prazos recursais, a representação de defesa do major Alexandre Felipe Zeidan não foi localizada para comentar os fatos, mantendo-se aberto o espaço para que ocorram manifestações a respeito das decisões e acusações registradas.