
Lula diz que Brasil não vai depender de EUA e China para ter inteligência artificial
Brasília, 5 de setembro de 2026. O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou neste sábado que o Brasil não pode depender dos Estados Unidos nem da China para desenvolver inteligência artificial. A declaração foi dada em evento sobre tecnologia e soberania digital e recolocou o tema no centro do debate eleitoral.
Segundo o presidente, a capacidade de processar dados, treinar modelos e hospedar infraestrutura em território nacional é hoje uma questão de soberania comparável à energia e à defesa. Ele defendeu investimento público em centros de dados, formação de pesquisadores e regras próprias para o uso de dados de brasileiros.
A crítica sobre o Pix
No mesmo discurso, Lula acusou o presidente norte-americano Donald Trump de querer, nas palavras dele, acabar com o Pix — referência às pressões comerciais sobre o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, alvo de questionamentos por parte de empresas estrangeiras do setor financeiro. O Pix é hoje o meio de pagamento mais usado no país e tornou-se símbolo de política pública tecnológica bem-sucedida, adotado por governos anteriores e mantido pelo atual.

Por que o tema importa
A discussão sobre soberania digital deixou de ser assunto de especialistas. Ela envolve desde o custo da energia para operar centros de dados até a definição de quem guarda as informações de saúde, educação e crédito da população brasileira. Para o setor produtivo, a preocupação prática é outra: sem infraestrutura local, empresas brasileiras pagam em moeda estrangeira por serviços de computação que poderiam ser prestados aqui.
Especialistas ouvidos pela imprensa lembram que soberania tecnológica não significa isolamento. O desafio é combinar parcerias internacionais com capacidade nacional de decisão — algo que exige planejamento de longo prazo, incompatível com o calendário de quatro anos da política brasileira.
Leitura da redação
Independentemente do resultado de outubro, o próximo governo herdará essa agenda. Inteligência artificial e meios de pagamento são temas em que o Brasil, por mérito próprio, chegou à mesa internacional com algo a mostrar. Perder essa posição por falta de continuidade seria um desperdício raro. O Voz de Brasília continuará cobrando de todos os candidatos propostas concretas para o setor.
