Brasília, sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Asa Norte: casa de prostituição que mantinha mulheres em cárcere é fechada

Asa Norte: casa de prostituição que mantinha mulheres em cárcere é fechada

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Paulo Fayad
Redator
25 de setembro de 2026
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Anunciado na internet como serviço de massagem, estabelecimento é o quarto alvo da 2ª DP em operações contra exploração sexual na Asa Norte

Brasília, DF - Uma casa de prostituição que operava sob o disfarce de um serviço de massagens na Asa Norte foi fechada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) nesta quinta-feira (21), culminando na prisão em flagrante da responsável pelo estabelecimento. A ação, realizada pela 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), revelou que três mulheres eram mantidas em condições análogas a cárcere privado e exploradas sexualmente no local, situado em salas comerciais da CLN 307, Bloco B, ampliando o combate à exploração sexual na região.

A investigação que levou à desativação do estabelecimento teve início após uma denúncia anônima, que alertou as autoridades sobre a natureza das atividades ali desenvolvidas. O local, que era amplamente divulgado na internet como ofertante de "massagens" e "finalizações", exibia inclusive imagens das mulheres que ali trabalhavam. Este monitoramento prévio permitiu à equipe policial da 2ª DP reunir provas consistentes antes de solicitar e cumprir o mandado de busca e apreensão.

No momento da operação, os policiais encontraram as três mulheres em uma sala de dimensões reduzidas. No ambiente, foram localizados armários com os nomes de cada uma delas, roupas sujas e uma máquina de lavar, indicando as precárias condições de trabalho e moradia às quais eram submetidas. Os relatos colhidos no local pela polícia apontaram que as mulheres eram obrigadas a permanecer confinadas nesta sala enquanto aguardavam a chegada dos clientes, caracterizando uma grave restrição de liberdade.

Metrópoles DF
Foto: Metrópoles DF

O depoimento de uma das vítimas foi crucial para a elucidação do esquema de exploração. Ela detalhou que era vítima de exploração sexual, sendo que a responsável pelo local se apropriava de parte significativa do dinheiro arrecadado com os programas. Além disso, a mulher impedia que as trabalhadoras deixassem o estabelecimento e restringia severamente o acesso delas à alimentação, configurando um cenário de controle e vulnerabilidade extremo, que viola direitos humanos fundamentais e a dignidade das vítimas.

A investigação também revelou que a responsável pela casa de prostituição estendia sua exploração ao cobrar das mulheres pela produção e pelo uso de suas fotografias em sites de conteúdo adulto, potencializando seus lucros e a submissão das vítimas. Adicionalmente, ela recebia uma parcela do dinheiro obtido em cada um dos atendimentos, consolidando um esquema de apropriação indevida dos ganhos das mulheres, que ficavam com uma parte ínfima ou sequer tinham controle sobre a própria remuneração.

Durante a operação, foram apreendidos diversos itens que comprovam a atividade ilícita: celulares, máquinas de cartão de crédito e débito, e documentos relacionados ao funcionamento do esquema. A mulher apontada como responsável foi prontamente presa em flagrante, com base no artigo 229 do Código Penal Brasileiro, que tipifica o crime de manter estabelecimento em que ocorra exploração sexual. A pena para este crime reflete a gravidade da conduta, que afeta a liberdade e a integridade de indivíduos.

Este fechamento representa o quarto estabelecimento alvo da 2ª Delegacia de Polícia da Asa Norte em um período de aproximadamente dois meses, evidenciando uma ação contínua e intensificada contra a exploração sexual na região. Em 23 de julho, a unidade já havia atuado em um endereço na SHCGN 704/705 Norte sob suspeita de exploração sexual, inclusive envolvendo adolescentes. Em 14 de setembro, uma responsável foi presa em flagrante em um local na SCLN 410 Norte, disfarçado de clínica de massoterapia. Mais recentemente, em 18 de setembro, policiais cumpriram mandados em um estabelecimento na SCLRN 708 Norte, consolidando uma ofensiva contra este tipo de crime.

A sequência de operações da 2ª DP reforça o compromisso das forças de segurança do Distrito Federal em combater redes de exploração sexual que se escondem por trás de fachadas legítimas. O impacto dessas ações é direto na vida das vítimas, oferecendo a elas a possibilidade de resgate e acesso a direitos, além de desmantelar estruturas criminosas que lucram com a vulnerabilidade alheia. A persistência da polícia em monitorar denúncias e agir com rigor demonstra um esforço contínuo para garantir a segurança e a dignidade da população, enviando uma clara mensagem de que tais crimes não serão tolerados no DF.