Brasília, sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Aluno de 12 anos é espancado após ser xingado de "neguinho" em escola do DF

Aluno de 12 anos é espancado após ser xingado de "neguinho" em escola do DF

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Paulo Fayad
Redator
18 de setembro de 2026
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Aluno do 7º ano atacou a vítima com socos e chutes no rosto e nas costas após xingamentos racistas; agressões foram registradas em vídeo

**Aluno de 12 anos é brutalmente agredido após sofrer racismo em escola de São Sebastião**

Um chocante episódio de violência e discriminação racial abalou a comunidade escolar de São Sebastião, no Distrito Federal, na última sexta-feira, 11 de setembro. Um estudante de 12 anos foi alvo de ofensas racistas e, em seguida, brutalmente espancado por um colega, também matriculado no 7º ano, dentro das dependências de uma instituição da rede pública de ensino. O caso, que foi registrado em vídeo e evidenciou a gravidade da agressão, já mobiliza as autoridades e a Secretaria de Educação do DF.

De acordo com as informações apuradas, a vítima foi primeiramente atacada com termos depreciativos como “preto” e “neguinho” por seu agressor, antes que a violência verbal escalasse para um confronto físico. O desentendimento inicial, que começou com esbarrões e troca de empurrões no pátio da escola, culminou quando o agressor derrubou a vítima no chão. A mãe do estudante agredido prontamente registrou uma ocorrência na 30ª Delegacia de Polícia de São Sebastião, que agora é responsável pela apuração do caso.

Após derrubar a vítima, o agressor desferiu uma série de socos e chutes que atingiram principalmente o rosto, ombros e costas do estudante, que se encontrava indefeso. A brutalidade do ataque foi interrompida apenas pela intervenção de um terceiro aluno, que corajosamente separou os dois. A coluna Metrópoles DF teve acesso a registros em vídeo que capturaram a cena, mostrando a gravidade da agressão e o cenário preocupante de uma multidão de alunos aglomerada ao redor, assistindo sem intervenção imediata.

Metrópoles DF
Foto: Metrópoles DF

A Secretaria de Educação do Distrito Federal, ao tomar conhecimento da briga, agiu rapidamente, instaurando um procedimento interno para investigar todas as circunstâncias do ocorrido. Como medida preliminar e visando a segurança e o bem-estar dos estudantes, a pasta informou que o aluno agressor será transferido para outra unidade de ensino, em um esforço para garantir que situações como esta não se repitam no ambiente escolar afetado.

A mãe do aluno agredido documentou as consequências físicas do espancamento. As fotografias obtidas revelam marcas e manchas roxas espalhadas pelo corpo do menino, com lesões visíveis nos braços, costas, ombros e na região facial. Essas imagens servem como um doloroso testemunho da violência sofrida e reforçam a urgência da apuração e responsabilização dos envolvidos.

O advogado da família da vítima, Lucas Fagner Fernandes Pereira, expressou sua profunda indignação com o ocorrido, destacando a gravidade de um ato de racismo e violência dentro de um ambiente que deveria ser seguro. "É estarrecedor que uma criança, dentro do ambiente escolar, seja vítima de racismo e de tamanha violência física justamente onde deveria estar protegida. As crianças são o futuro da humanidade, mas que futuro estamos construindo quando a infância já é marcada pelo racismo e pela violência?", questionou o advogado, ressaltando o impacto duradouro de tais experiências na vida de um jovem.

Lucas Fagner Fernandes Pereira enfatizou o compromisso de sua equipe em buscar justiça para o estudante agredido e sua família. “A família nos constituiu e buscaremos respostas e a apuração das responsabilidades perante todos os órgãos competentes”, afirmou o advogado, indicando que todas as medidas legais cabíveis serão tomadas para garantir que os responsáveis sejam devidamente penalizados e que o caso sirva de alerta para a comunidade sobre a necessidade de combater o racismo e a violência nas escolas.

Este trágico evento em São Sebastião ressalta a importância de um debate aprofundado sobre o racismo, o bullying e a segurança dentro das instituições de ensino. A passividade de parte dos alunos que presenciaram a agressão, conforme mostrado nos vídeos, também levanta questões importantes sobre a cultura escolar e a necessidade de programas de conscientização e intervenção que promovam a empatia e a solidariedade entre os estudantes. O caso vai além de uma simples briga de crianças; ele expõe feridas sociais profundas que exigem atenção e ação conjuntas de pais, educadores e autoridades.

A comunidade escolar e as autoridades agora enfrentam o desafio de transformar este episódio doloroso em uma oportunidade para fortalecer as políticas antirracistas e de combate à violência, assegurando que o ambiente educacional seja verdadeiramente um espaço de acolhimento, respeito e aprendizado para todos. A garantia de que a escola seja um refúgio contra o racismo e a violência é fundamental para o desenvolvimento saudável de seus alunos e para a construção de um futuro mais justo e igualitário, ecoando a premissa de que a infância deve ser um período de proteção, não de trauma.