Brasília, quarta-feira, 21 de outubro de 2026
Advogada que chutou porta de toalha xingou outra vizinha de "preta suja"

Advogada que chutou porta de toalha xingou outra vizinha de "preta suja"

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Paulo Fayad
Redator
21 de outubro de 2026
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Nesta terça-feira (20/10), mulher também chutou a porta de uma vizinha do 10º andar enquanto estava enrolada em uma toalha

A advogada de 42 anos que chutou a porta de uma vizinha enquanto estava enrolada em uma toalha, em um condomínio de Águas Claras (DF), já foi denunciada por injúria racial por outra moradora do prédio. Em 13 de maio deste ano, a vítima registrou um boletim de ocorrência após ser alvo de ofensas racistas. O Metrópoles teve acesso ao vídeo em que a advogada a chama de “preta, pobre, suja, imunda, favelada e má”.

A moradora é uma das vizinhas do 10º andar, constantemente palco de gritaria por causa da suposta relação que a advogada afirma manter com Elon Musk. Segundo a moradora, a mulher implica com os vizinhos e alega que eles atrapalham sua privacidade.

De pele morena e cabelo cacheado no estilo black power, a vítima acredita que essas características possam ter motivado as ofensas. Segundo ela, os xingamentos ocorreram quando ela passava em frente ao apartamento da advogada. A moradora afirma que não foi a única pessoa da família a ser alvo da mulher: o irmão dela, que também é negro, teria sido chamado de “macaco” pela mesma advogada.

Foi também em uma dessas ocasiões que a moradora afirma ter sido ameaçada de morte pela advogada. “Ela já me ameaçou de morte duas vezes: uma quando eu estava saindo de casa e outra, na semana retrasada, quando passei por ela na rua. Em outra ocasião, tentou me agredir, mas meu irmão e minha mãe estavam presentes, foi quando ela o chamou de macaco”, relatou a moradora.

A reportagem não vai revelar o nome da acusada porque existe a suspeita de que ela tenha problemas mentais.

Nessa terça-feira (20/10), enrolada em uma toalha, a advogada gritou e chutou a porta de uma vizinha até quase derrubá-la. Há cerca de seis meses, a vítima, de 30 anos, mudou-se para o 10º andar do condomínio, onde passou a ouvir a mulher falar sozinha em voz alta dentro do apartamento e, às vezes, gritar pelo corredor.

O episódio começou às 8h52, quando a advogada bateu à porta da vizinha. Com a força dos chutes, a estrutura quase cedeu. “Precisei segurar a porta para impedir que ela caísse. Antes de mim, outra moradora já foi atacada com uma barra de ferro na porta, porque ela implica com esse apartamento, que fica bem de frente para o dela”, relatou.

Metrópoles DF
Foto: Metrópoles DF

Segundo uma vizinha, os conflitos estariam relacionados à crença da advogada de que é casada com o empresário Elon Musk e de que os dois precisam de espaço. No vídeo obtido pelo Metrópoles, é possível ouvir a mulher repetir o nome do bilionário.

Os moradores afirmam que acionam a Polícia Militar e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) diante dos episódios, por acreditarem que a mulher esteja passando por um surto psiquiátrico.

“Nunca há punição. Ela costuma dar carteirada, dizendo que é advogada, e demonstra confiança de que não sofrerá consequências”, relatou a moradora.

As reclamações dos moradores chegaram à Justiça. O condomínio Edifício Uptown Residence pediu o afastamento da advogada do imóvel, alegando que multas e notificações não resolveram os conflitos. Como provas, apresentou boletins de ocorrência por ameaça e injúria racial, relatos de moradores e vídeos. A administração também alegou que um incêndio no apartamento representou risco aos demais residentes.

Em junho de 2026, o TJDFT negou o afastamento imediato. Na decisão, o desembargador Roberto Freitas Filho afirmou que retirar alguém da própria casa é uma medida excepcional. Segundo ele, os documentos indicavam um conflito relevante, mas era necessário analisar melhor a gravidade e a repetição dos episódios, além de confrontar as versões e garantir o direito de defesa da moradora.

A decisão não encerrou o processo. A Justiça apenas negou a retirada imediata da advogada, e o pedido do condomínio ainda precisa ser julgado.

Procurado, o síndico questionou a demora para que sejam tomadas providências diante das ocorrências relatadas pelos moradores.

“Tem um ponto que ninguém entende. Por que, com tantas ocorrências e ação de despejo, a Justiça não anda com as providências?”, afirmou.

A defesa da advogada foi procurada para comentar as denúncias e o processo judicial. O espaço segue aberto para manifestação.