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Nota de Fachin sobre caso Master racha STF e decepciona ministros

Brasília - Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki e Edson Fachin, durante sessão extraordinária para encerramento do Ano Judiciário (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A primeira manifestação pública do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, sobre as decisões do ministro Dias Toffoli no chamado caso Master provocou divisão interna na Corte e frustração entre parte dos ministros. A nota, divulgada na noite de quinta-feira (22), buscou conter o desgaste institucional gerado pelas controvérsias em torno da condução do inquérito, mas acabou sendo recebida de forma ambígua dentro do tribunal.

Diante da crise, Fachin interrompeu as férias, antecipou o retorno a Brasília e iniciou uma série de conversas reservadas com colegas do STF. Segundo relatos feitos à CNN Brasil, o presidente da Corte avaliou que o “momento exige” presença física e atuação direta para tentar pacificar o ambiente interno. A nota final foi construída após esses diálogos e apresentada como uma manifestação institucional em defesa do Judiciário.

O conteúdo, no entanto, não agradou de forma unânime. Uma ala do STF considera que o texto foi equilibrado e necessário para resguardar a imagem da Corte e a atuação de Toffoli, responsável pelo caso. Esse grupo inclui ministros como Alexandre de Moraes, vice-presidente do tribunal, e Gilmar Mendes. Para eles, a prioridade neste momento seria proteger a instituição diante das críticas públicas, deixando eventuais correções para um segundo momento.

Por outro lado, ministros e assessores ligados à defesa do código de ética do STF avaliam que a nota “pouco esclarece” e evita autocrítica. Na visão desse grupo, a manifestação ficou “em cima do muro” ao tentar dialogar simultaneamente com o Banco Central, Polícia Federal, Procuradoria-Geral da República e os próprios críticos internos de Toffoli. Para esses magistrados, o episódio evidencia a necessidade de revisão de condutas e maior transparência, sob risco de aprofundar a crise de credibilidade da Suprema Corte.