O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode alcançar o total de 39 ministérios caso avance a proposta de criação de um Ministério da Segurança Pública, por meio do desmembramento do atual Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número igualaria o recorde registrado durante o segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
A discussão voltou ao centro do governo após a saída de Ricardo Lewandowski da chefia da Justiça. Atualmente, a Esplanada conta com 38 pastas, número quase 70% superior ao registrado no governo Jair Bolsonaro (PL), que operava com 23 ministérios. Na gestão Michel Temer (MDB), eram 29.
A criação de uma pasta exclusiva para a segurança pública foi promessa de campanha de Lula em 2022, mas acabou descartada durante a transição, quando o presidente optou por entregar a Justiça a Flávio Dino. Com o avanço do mandato, porém, a segurança passou a ser vista internamente como um dos principais pontos de desgaste do governo, sem que as iniciativas apresentadas tenham conseguido reverter a percepção negativa.
O debate ganhou força também entre os estados. O Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública (Consesp) avaliou que o momento é “oportuno e estratégico” para a separação das pastas. Ainda assim, aliados do presidente divergem sobre a conveniência política da medida em ano pré-eleitoral, temendo que a oposição trate a criação do novo ministério como ação de caráter eleitoral, além da limitação de tempo e orçamento para que um novo ministro apresente resultados concretos.
Independentemente da decisão sobre a nova pasta, 2026 deve trazer uma ampla reorganização ministerial. Em abril, ministros que pretendem disputar as eleições precisarão deixar seus cargos. Entre os nomes cotados para saída estão Fernando Haddad (Economia), Camilo Santana (Educação), Wellington Dias (Desenvolvimento Social), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Rui Costa (Casa Civil) e Anielle Franco (Igualdade Racial).




