O governo brasileiro tem adotado uma postura de cautela diante da crise política na Venezuela após a saída de Nicolás Maduro do país. Segundo interlocutores do Planalto e do Itamaraty, a prioridade é evitar qualquer escalada que leve ao caos político, social ou humanitário na região.
Diplomatas avaliam que, apesar da instabilidade, a sucessão conduzida pela presidente interina Delcy Rodríguez tem apresentado sinais de controle institucional. Por isso, o Brasil tem optado por não interferir diretamente, mantendo apenas o monitoramento constante da situação.
A possibilidade de um conflito interno é vista como o pior cenário, especialmente pelos impactos regionais. O Itamaraty avalia que uma crise armada poderia gerar aumento no número de vítimas, aprofundar a instabilidade política e provocar reflexos diretos no Brasil e em outros países da América do Sul.
Um dos principais pontos de atenção é a fronteira com Roraima. Autoridades brasileiras afirmam que, até o momento, não houve crescimento significativo no fluxo migratório venezuelano, mas reconhecem que esse quadro pode mudar rapidamente caso a situação se deteriore.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem reforçado o discurso de soberania e defesa da paz, sem fazer defesa direta de Maduro. O Brasil se coloca como possível mediador, embora ainda não veja abertura concreta para atuação diplomática, mantendo uma estratégia de prudência e observação.




