O Brasil alcançou um novo e preocupante recorde no número de feminicídios em 2025, com 1.518 mulheres assassinadas, o equivalente a uma média de quatro mortes por dia. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, justamente no ano em que a Lei do Feminicídio completou uma década de vigência no país.
O número supera o recorde anterior, registrado em 2024, quando 1.458 mulheres foram vítimas desse tipo de crime. A legislação, sancionada em 2015, tipificou no Código Penal o homicídio praticado contra mulheres em contexto de violência doméstica, familiar ou por discriminação de gênero, mas, segundo especialistas, os índices demonstram falhas graves na prevenção.
Durante o lançamento do relatório anual da Human Rights Watch, a diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, classificou o feminicídio como um crime evitável e apontou a omissão do Estado como fator central para a escalada da violência. Segundo ela, a ausência de políticas públicas eficazes compromete a rede de proteção às mulheres.
A especialista destacou ainda o desfinanciamento das políticas de enfrentamento à violência de gênero, sobretudo nos municípios e estados, responsáveis diretos por serviços essenciais como assistência social, saúde e segurança pública. Para Samira Bueno, a falta de recursos humanos e financeiros inviabiliza ações concretas capazes de salvar vidas.
Em resposta ao agravamento do cenário, o governo federal, o Congresso Nacional e o Poder Judiciário lançaram o Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio, que prevê atuação integrada e permanente entre os Três Poderes. A iniciativa inclui a plataforma TodosPorTodas.br, criada para centralizar informações, divulgar políticas públicas, fortalecer canais de denúncia e estimular o engajamento da sociedade civil no combate à violência contra meninas e mulheres.




