O ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, recebeu cerca de R$ 4 milhões em propina de uma associação investigada por desvios de recursos, segundo relatório da Polícia Federal que embasou sua prisão em novembro.
De acordo com a investigação, os pagamentos partiram da Conafer e foram intermediados por escritórios de advocacia, uma imobiliária e até uma pizzaria. Os repasses teriam ocorrido entre 2022 e 2024, em parcelas mensais de aproximadamente R$ 250 mil. Em mensagens analisadas pela PF, Stefanutto seria identificado pelo codinome “Italiano”.
A Conafer é uma das entidades investigadas por descontos irregulares aplicados a aposentados. Segundo a PF, a associação recebeu cerca de R$ 708 milhões, dos quais R$ 640 milhões teriam sido desviados por meio de empresas consideradas de fachada. Algumas delas declaravam sedes em salas comerciais fechadas em Presidente Prudente (SP).
O relatório da PF cita ainda outros supostos beneficiários do esquema, incluindo ex-dirigentes do INSS e parlamentares. A defesa de Stefanutto negou irregularidades e afirmou que ele não seria a pessoa mencionada como “Italiano” nas conversas. Outros citados foram procurados, mas não responderam até a última atualização.
A investigação integra um conjunto de apurações sobre fraudes e desvios envolvendo recursos da Previdência Social. O caso tramita sob acompanhamento da Justiça e pode resultar em novas denúncias e desdobramentos judiciais nos próximos meses.




