As negociações para um acordo de delação premiada entre o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e a Polícia Federal devem avançar nos próximos dias. Preso desde abril, ele tenta firmar um acordo de colaboração que pode ajudar os investigadores a rastrear recursos supostamente desviados do esquema envolvendo o Banco Master.
Segundo informações obtidas, a expectativa é que Costa assine ainda nesta semana um termo de confidencialidade, etapa inicial para formalização da proposta de colaboração.
PF vê Paulo Henrique Costa como integrante da cúpula do esquema
De acordo com investigadores, Paulo Henrique Costa era considerado integrante do núcleo financeiro da suposta organização criminosa investigada na Operação Compliance Zero.
Para a Polícia Federal, sua atuação não estaria restrita à presidência do BRB. Os investigadores acreditam que ele possuía informações privilegiadas sobre movimentações financeiras, operações consideradas fraudulentas e o destino de recursos que teriam sido enviados ao exterior.
A apuração aponta que parte significativa do dinheiro teria sido utilizada na aquisição de bens e aplicações financeiras em outros países, incluindo paraísos fiscais.
Delação pode revelar destino de recursos
A expectativa dos investigadores é que a colaboração permita localizar patrimônio e recursos mantidos fora do Brasil, facilitando pedidos de cooperação internacional e eventual recuperação de ativos.
Segundo fontes ligadas ao caso, a PF considera fundamental identificar esses valores para eventual ressarcimento de órgãos públicos e correntistas que teriam sido prejudicados após a liquidação das instituições envolvidas.
Ibaneis Rocha é citado, mas sem provas apresentadas
Conforme a reportagem, Paulo Henrique Costa teria mencionado o nome do ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, afirmando que ele teria participação em decisões relacionadas à liberação de pagamentos.
Entretanto, investigadores destacam que, até o momento, não foram apresentadas provas que sustentem essa acusação. Por essa razão, Ibaneis não foi alvo de diligências na investigação.
Em manifestações públicas anteriores, o ex-governador negou qualquer envolvimento em irregularidades.
Investigação já estaria avançada
Fontes da Polícia Federal afirmam que boa parte da estrutura do esquema investigado já foi identificada. Segundo os investigadores, os núcleos político e financeiro estariam parcialmente mapeados, e a Procuradoria-Geral da República já possui informações consideradas relevantes.
Ainda assim, a colaboração de Paulo Henrique Costa é vista como estratégica por poder fornecer detalhes sobre movimentações financeiras internacionais e eventuais beneficiários do esquema.













Recent Comments