Brasília, segunda-feira, 5 de outubro de 2026
Especial Eleições 2026 • resultado por estado

As urnas redesenham Brasília: 54 senadores eleitos, PL histórico e Flávio Bolsonaro x Lula no segundo turno

Com 99,99% da apuração presidencial informada pelo TSE e o Senado já definido, o primeiro turno deixa um mapa político mais nítido: forte avanço da direita no Legislativo, PL como maior bancada projetada do Senado desde 1988 e uma disputa presidencial aberta para 25 de outubro.

Não é apenas uma eleição de nomes. É uma eleição sobre quem passa a ter força para aprovar, bloquear, investigar e confrontar instituições a partir de 2027.
Análise de Paulo Fayad • atualização da noite eleitoral de 4 de outubro de 2026
Nota metodológica: “direita”, “centro” e “esquerda” são uma classificação editorial da TV Voz de Brasília, não uma classificação oficial do TSE. Onde a totalização ainda não estava formalmente encerrada, mostramos a fotografia da apuração, sem antecipar proclamação oficial.
47,03%
Flávio Bolsonaro no 1º turno: 56.104.268 votos
45,16%
Lula no 1º turno: 53.876.617 votos
54 / 54
vagas do Senado definidas; 40 novos e 14 reeleitos
28
senadores projetados para o PL em 2027, maior bancada inicial desde 1988

Resultado oficial em todos os estados

Abra diretamente a página de resultados do TSE para cada unidade da Federação.

O retrato depois da madrugada

O que de fato ficou decidido no primeiro turno

Presidência

Com 99,99% das urnas apuradas na atualização do TSE, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 56.104.268 votos (47,03%) e Lula com 53.876.617 (45,16%). A diferença foi de 2.227.651 votos. Outros candidatos somaram 15.291.628 votos válidos — cerca de 12,21% — que passam a ser o principal eleitorado em disputa no segundo turno, embora transferência de voto nunca seja automática.

O segundo turno será em 25 de outubro. A disputa presidencial está definida entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT).

Senado

As 54 vagas em disputa estão definidas. A renovação foi alta: 40 novos senadores e 14 reeleitos. O PL elegeu 19 dos 54 e, somadas as cadeiras que permanecem, a Agência Senado projeta 28 senadores do PL em 2027 — a maior bancada partidária no início de uma legislatura desde a Constituição de 1988.

O PT aparece com 9; MDB, 8; União e PP, 6 cada; PSD e Republicanos, 5 cada; PSB, 4; Novo, 3; PSDB e Podemos, 2 cada; Rede e PDT, 1 cada; e há 1 cadeira sem partido na projeção atual.

Os campeões de votos para o Senado

PP-SP
Guilherme Derrite
13.273.880 votos
PL-SP
André do Prado
12.703.089 votos
PL-MG
Domingos Sávio
4.968.829 votos
PT-BA
Rui Costa
4.335.196 votos
PL-RJ
Carlos Portinho
4.264.932 votos
PT-MG
Marília Campos
3.990.864 votos
PT-BA
Jaques Wagner
3.986.690 votos
PL-RJ
Carlos Jordy
3.912.405 votos
PL-RS
Sanderson
3.453.316 votos
Novo-RS
Marcel Van Hattem
3.449.053 votos

O tamanho real de cada campo político nas urnas

O tamanho das esferas acompanha o total de votos de cada bloco. No Senado, o eleitor vota em dois candidatos, por isso o total bruto é maior.

Senado — votos agregados

Esquerda
66.891.431
32,31%
Esquerda
Centro
23.483.656
11,34%
Centro
Direita
116.648.474
56,34%
Direita

Deputado Federal — votos agregados

Esquerda
29.829.637
26,46%
Esquerda
Centro
19.929.969
17,68%
Centro
Direita
62.982.433
55,86%
Direita

Deputado Estadual/Distrital — votos agregados

Esquerda
30.514.334
27,07%
Esquerda
Centro
25.962.504
23,03%
Centro
Direita
56.260.704
49,90%
Direita
O poder em uma imagem

A direita domina a Câmara; no Senado, o PL vira a maior força partidária

A comparação abaixo junta cadeiras já distribuídas na Câmara, Assembleias/Câmara Distrital e uma projeção editorial do Senado de 81 cadeiras caso as duas primeiras posições de cada estado se confirmem.

Câmara — 505 cadeiras atribuídas
Direita: 296 (58,61%)
Centro: 85 (16,83%)
Esquerda: 124 (24,55%)

Na consulta desta manhã, MG e SP ainda não apareciam com totalização formal encerrada no arquivo do TSE; 8 cadeiras permaneciam fora deste recorte.

Assembleias e Câmara Distrital
Direita: 549 (51,84%)
Centro: 247 (23,32%)
Esquerda: 263 (24,83%)

Nos Legislativos estaduais, a vantagem existe, mas é menos concentrada.

Senado projetado — 81 cadeiras
Direita: 52 (64,20%)
Centro: 13 (16,05%)
Esquerda: 15 (18,52%)
Sem classificação: 1 (1,23%)

Nesta classificação editorial, 52 cadeiras estão em partidos de direita, 13 no centro, 15 na esquerda e uma sem partido. Trocas partidárias, suplentes e o segundo turno estadual ainda podem alterar o quadro.

Como o voto virou cadeira no Congresso

Câmara — 505 cadeiras atribuídas na consulta

PL
118
PT
70
UNIÃO
44
PSD
42
PP
41
REPUBLICANOS
41
MDB
36
PODE
25
PSB
15
PSOL
14
PCDOB
11
PSDB
11
NOVO
10
PV
7
PDT
6
AVANTE
5
PRD
5
SOLIDARIEDADE
2
REDE
1
MISSÃO
1

Assembleias + Câmara Distrital — 1.059 cadeiras

PL
212
PT
141
MDB
112
PSD
103
PP
81
REPUBLICANOS
78
UNIÃO
73
PODE
47
PSB
42
PSDB
26
PSOL
26
PDT
24
PV
19
AVANTE
17
NOVO
15
PRD
13
PCDOB
9
AGIR
7
SOLIDARIEDADE
4
REDE
3

Onde o voto se concentra

A leitura acumulada mostra o peso dos maiores partidos e a velocidade com que eles concentram o eleitorado.

25%50%75%100%
1. PL — 25.522.9912. PT — 14.714.7093. PSD — 9.290.8594. MDB — 7.874.4205. REPUBLICANOS — 7.842.2386. UNIÃO — 7.737.3057. PP — 7.587.4538. PODE — 5.737.2079. PSOL — 5.294.04410. PSB — 5.006.022

Os 54 senadores eleitos — resultado consolidado

O Senado está definido: dois eleitos por unidade da Federação. Para preservar a qualidade visual do portal, substituímos os retratos pequenos do TSE por imagens oficiais em resolução maior publicadas pela Agência Senado. Onde não houver material jornalístico em boa definição, a página deve priorizar o dado, não uma foto ruim.

40
novos senadores
14
reeleitos
19
vagas conquistadas pelo PL neste pleito
28
bancada projetada do PL em 2027
Senadores eleitos por AC
MARCIO BITTAR (PL)
223.972 votos • eleito
MARA ROCHA (REPUBLICANOS)
157.104 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senadores eleitos por AL
ARTHUR LIRA (PP)
948.703 votos • eleito
MARINA JHC (PSDB)
926.860 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senadores eleitos por AM
EDUARDO BRAGA (MDB)
1.240.471 votos • eleito
PLINIO VALÉRIO (PSDB)
948.793 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senadores eleitos por AP
RAYSSA FURLAN (PODE)
264.799 votos • eleito
LUCAS BARRETO (PSD)
213.948 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senadores eleitos por BA
RUI COSTA (PT)
4.335.196 votos • eleito
JAQUES WAGNER (PT)
3.986.690 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senadores eleitos por CE
CID GOMES (PSB)
3.033.562 votos • eleito
LUIZIANNE (REDE)
2.822.806 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senadores eleitos por DF
MICHELLE BOLSONARO (PL)
938.496 votos • eleito
BIA KICIS (PL)
886.616 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senadores eleitos por ES
RENATO CASAGRANDE (PSB)
995.361 votos • eleito
EVAIR DE MELO (REPUBLICANOS)
982.978 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senadores eleitos por GO
GUSTAVO GAYER (PL)
1.639.247 votos • eleito
GRACINHA CAIADO (UNIÃO)
1.458.522 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senadores eleitos por MA
FUFUCA (PP)
1.530.187 votos • eleito
LAHESIO BONFIM (NOVO)
1.471.859 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senadores eleitos por MG
DOMINGOS SÁVIO (PL)
4.968.829 votos • eleito
MARÍLIA CAMPOS (PT)
3.990.864 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senadores eleitos por MS
REINALDO AZAMBUJA (PL)
903.554 votos • eleito
CAPITÃO CONTAR (PL)
856.045 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senadores eleitos por MT
MAURO MENDES (UNIÃO)
1.187.352 votos • eleito
ZÉ MEDEIROS (PL)
977.777 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senadores eleitos por PA
HELDER (MDB)
2.342.070 votos • eleito
CHICÃO (UNIÃO)
2.014.409 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senadores eleitos por PB
JOAO AZEVÊDO (PSB)
1.391.994 votos • eleito
VENEZIANO (MDB)
974.550 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senadores eleitos por PE
HUMBERTO COSTA (PT)
2.531.389 votos • eleito
MARÍLIA ARRAES (PDT)
2.325.127 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senadores eleitos por PI
MARCELO CASTRO (MDB)
1.307.833 votos • eleito
JÚLIO CÉSAR (PSD)
989.146 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senadores eleitos por PR
FILIPE BARROS (PL)
3.148.583 votos • eleito
DELTAN DALLAGNOL (NOVO)
2.904.594 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senadores eleitos por RJ
CARLOS PORTINHO (PL)
4.264.932 votos • eleito
CARLOS JORDY (PL)
3.912.405 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senadores eleitos por RN
STYVENSON VALENTIM (PODE)
1.055.000 votos • eleito
SAMANDA DE LULA (PT)
635.924 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senadores eleitos por RO
DR. FERNANDO MÁXIMO (PL)
570.799 votos • eleito
BRUNO SCHEID (PL)
474.226 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senadores eleitos por RR
NICOLETTI (PL)
138.269 votos • eleito
TERESA SURITA (MDB)
117.270 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senadores eleitos por RS
SANDERSON (PL)
3.453.316 votos • eleito
MARCEL VAN HATTEM (NOVO)
3.449.053 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senadores eleitos por SC
CAROL DE TONI (PL)
2.694.918 votos • eleito
CARLOS BOLSONARO (PL)
2.041.840 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senadores eleitos por SE
ROGERIO CARVALHO (PT)
511.142 votos • eleito
DELEGADO ALESSANDRO (MDB)
399.775 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senadores eleitos por SP
GUILHERME DERRITE (PP)
13.273.880 votos • eleito
ANDRÉ DO PRADO (PL)
12.703.089 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senadores eleitos por TO
EDUARDO GOMES (PL)
450.191 votos • eleito
ALEXANDRE GUIMARÃES (MDB)
316.786 votos • eleito
Foto: Agência Senado — reprodução autorizada mediante citação.
Senado 2027

A nova composição partidária

Projeção da Agência Senado considera os eleitos de 2026, as 27 cadeiras com mandato até 2031 e substituições já definidas. O quadro ainda pode mudar com troca de partido, suplentes e o segundo turno para governador.

PL
28
PT
9
MDB
8
UNIÃO
6
PP
6
PSD
5
REPUBLICANOS
5
PSB
4
NOVO
3
PSDB
2
PODE
2
REDE
1
PDT
1
SEM PARTIDO
1
Atenção: Deltan Dallagnol (Novo-PR) foi eleito, mas sua candidatura segue sub judice, segundo a Agência Senado. Se a inelegibilidade for confirmada pelo TSE, poderá ser necessária nova eleição para a vaga. Além disso, Alan Rick (Republicanos-AC), Omar Aziz (PSD-AM) e Professora Dorinha (União-TO), que têm mandato até 2031, disputam governos estaduais no segundo turno e podem ser substituídos por suplentes.
O ponto de tensão institucional

STF sob pressão: ministros correm risco de impeachment?

O risco político aumenta, mas impeachment de ministro do Supremo não nasce automaticamente do resultado das urnas. A Constituição dá ao Senado a competência para processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade; a Lei 1.079/1950 exige enquadramento jurídico e prevê condenação apenas com dois terços dos senadores — 54 votos.

52
cadeiras em partidos classificados à direita nesta projeção editorial; há ainda uma cadeira sem partido
54
votos correspondem a dois terços do Senado, quórum previsto para condenação em crime de responsabilidade
2
é a distância matemática entre 52 cadeiras de direita e o quórum de 54; isso não significa voto automático por bloco

Há pressão concreta sobre Alexandre de Moraes. Em setembro de 2026, senadores defenderam publicamente seu afastamento após novas revelações do caso Banco Master, e a PET 20/2026 foi protocolada no Senado com pedido de impeachment; o registro oficial ainda constava aguardando despacho na consulta mais recente.

Isso não significa que haja votos para condenar qualquer ministro. Além do enquadramento em crime de responsabilidade, o processo depende de tramitação no Senado, análise institucional e formação de uma maioria qualificada. O centro — especialmente MDB e PSD — pode ser decisivo.

O próprio rito está sob disputa jurídica. As ADPFs 1259 e 1260 discutem pontos da Lei do Impeachment aplicáveis a ministros do STF; decisões cautelares de 2025 alteraram partes do regime e foram depois parcialmente suspensas. Portanto, o cenário é politicamente mais duro para a Corte, mas juridicamente ainda cercado de etapas e controvérsias.

Deputados federais mais votados

Os 20 maiores totais individuais encontrados nos arquivos estaduais do TSE nesta fotografia da noite eleitoral.

Deputados estaduais e distritais mais votados

Análise política ampliada

A direita avançou muito. A esquerda recuou — mas não desapareceu.

É correto falar em uma mudança relevante do eixo institucional. O PL conquistou 19 das 54 vagas ao Senado e deverá começar 2027 com 28 senadores, enquanto a Câmara também apresenta vantagem dos partidos classificados neste painel à direita. Isso aumenta o poder de agenda do campo conservador, sobretudo em segurança pública, economia, costumes, fiscalização do Executivo e relação com o Judiciário.

Mas “a esquerda acabou” seria uma leitura errada. Lula obteve 45,16% dos votos válidos no primeiro turno, mais de 53,8 milhões de votos; o PT deverá ter 9 senadores, a segunda maior bancada da Casa. O dado mostra perda relativa de espaço institucional, não desaparecimento social ou eleitoral.

O que pode explicar o recuo? Eleições de continuidade costumam concentrar desgaste do governo, e a campanha de 2026 foi atravessada por temas como custo de vida, segurança, corrupção e polarização. Há também uma consolidação da direita partidária: diferentemente de 2018, o campo conservador chega a 2026 com partidos, lideranças regionais e bancadas mais estruturados.

“O eleitor cansou?” Não há uma única resposta demonstrável. O primeiro turno sugere simultaneamente duas forças: um contingente grande querendo mudança, expresso pela liderança de Flávio Bolsonaro, e outro quase tão grande defendendo continuidade, expresso nos 45,16% de Lula. A eleição não mostra um país que abandonou um lado; mostra um país profundamente dividido entre dois projetos.

Um quarto mandato de Lula seria “demais”? Lula busca um quarto mandato presidencial no total — não consecutivo. Essa é uma pergunta política que o eleitor decidirá. Para parte do eleitorado, experiência e continuidade são ativos; para outra parte, um quarto mandato simboliza prolongamento excessivo de um mesmo ciclo. O primeiro turno confirma que ambas as leituras têm peso eleitoral de dezenas de milhões de votos.

O que acontece agora no segundo turno

A disputa por 15,3 milhões de votos

Os eleitores que votaram nos demais candidatos somaram aproximadamente 12,21% dos votos válidos. Apoios partidários importam, mas esses votos não pertencem aos candidatos derrotados. A campanha passa a disputar eleitor por eleitor.

Sete governos ainda em jogo

Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins terão segundo turno para governador. Essas disputas locais podem alterar alianças, palanques e até a composição efetiva do Senado por causa de suplentes.

O que isso significa para a América Latina e para o mundo

Para a América Latina, o Brasil volta a funcionar como teste de escala. Uma direita competitiva no maior país da região fortalece redes conservadoras latino-americanas e muda o equilíbrio diplomático, mas não prova por si só uma “onda” regional: cada país tem calendários, partidos e problemas domésticos diferentes.

Para os Estados Unidos, China e Europa, o segundo turno importa porque o Brasil é G20, BRICS, potência agrícola, energética e ambiental. Um governo de Flávio Bolsonaro tenderia a buscar maior proximidade política com a direita norte-americana e postura mais dura diante de governos como Venezuela e Cuba; um novo governo Lula tenderia a preservar a diplomacia Sul-Sul, os BRICS, a relação intensa com a China e a agenda climática multilateral. Em ambos os casos, comércio e investimento limitam mudanças abruptas.

Para os mercados, a principal pergunta não é apenas quem vence, mas com qual Congresso governará. Um Legislativo mais conservador pode favorecer algumas agendas de disciplina fiscal, segurança e liberalização, mas também pode aumentar conflitos institucionais se Executivo, Congresso e STF entrarem em rota de colisão.

Análise

Paulo Fayad: “O centro do poder político se deslocou”

A Câmara mostra forte vantagem dos partidos classificados à direita. Na consulta desta manhã, esses partidos somavam 62,98 milhões de votos para deputado federal, contra 29,83 milhões da esquerda e 19,93 milhões do centro. Das 505 cadeiras já atribuídas no recorte do TSE, 296 estavam à direita, 124 à esquerda e 85 ao centro; MG e SP ainda não apareciam formalmente encerrados no arquivo consultado.

O Senado é a peça que pode produzir a maior mudança institucional. Se as duas primeiras posições atuais se confirmarem e forem somadas às 27 cadeiras não renovadas nesta eleição, a projeção editorial chega a 52 senadores em partidos classificados à direita, 15 à esquerda e 13 ao centro, além de uma cadeira sem partido. É uma composição capaz de mudar a relação com o STF, com o governo e com as indicações para cargos de Estado.

O centro continua decisivo. MDB, PSD e outros partidos de centro preservam capacidade de articulação. Em votações de maioria absoluta e quórum qualificado, esse campo pode definir o resultado.

Voto popular não é sinônimo automático de cadeira. Federações, quocientes e regras proporcionais mudam a tradução de votos em mandatos. Por isso é preciso olhar simultaneamente para votos, bancadas e capacidade de formar maioria.

“A eleição de 2026 mostra que o eleitor pode votar de forma diferente para Executivo e Legislativo. É no Congresso que o poder real de aprovar, travar ou alterar projetos será medido.” — Paulo Fayad

Fonte e metodologia

Fonte primária: arquivos públicos de resultados do Tribunal Superior Eleitoral. A divisão entre esquerda, centro e direita é uma classificação editorial da TV Voz de Brasília e pode ser reorganizada por outros critérios acadêmicos ou jornalísticos.

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