O banqueiro Daniel Vorcaro foi transferido novamente para uma sala de Estado-maior na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, na noite desta quinta-feira (22).
A transferência foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Antes, o ex-banqueiro estava em uma cela comum da Polícia Federal.
Na decisão, Mendonça citou manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre os riscos envolvendo a permanência de Vorcaro em cela comum, principalmente devido à forte exposição midiática do caso e à possibilidade de contato com outros investigados da suposta organização criminosa.
A mudança ocorreu após a Polícia Federal rejeitar a proposta inicial de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro.
Segundo investigadores, o material entregue pelo empresário acrescentaria poucas informações novas às investigações e ainda tentaria preservar pessoas próximas ao banqueiro.
Apesar da rejeição da PF, a PGR ainda poderá analisar separadamente uma eventual colaboração premiada.
Valor da delação pode chegar a R$ 60 bilhões
Diante da resistência das autoridades em fechar o acordo, Daniel Vorcaro aceitou elevar de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões o valor que estaria disposto a devolver em eventual acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República.
O empresário é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras bilionárias envolvendo o Banco Master.
As investigações incluem suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa e fraudes contra o sistema financeiro nacional.
Defesa deixa o caso
Na quinta-feira (21), a defesa de Daniel Vorcaro chegou a pedir a transferência dele para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, dentro do Complexo da Papuda.
Pouco depois da negativa envolvendo a delação, o advogado José Luis Oliveira Lima deixou oficialmente a defesa do banqueiro.
O que é uma sala de Estado-maior
A chamada sala de Estado-maior é prevista na Lei 8.906, do Estatuto da Advocacia, e oferece instalações diferenciadas para determinadas autoridades e profissionais.
O espaço já foi utilizado anteriormente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante período em que esteve detido na PF.
Segundo especialistas, o objetivo é manter determinadas autoridades e pessoas com direito à prisão especial separadas da massa carcerária comum.







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