A China intensificou as tensões no Estreito de Taiwan ao realizar, pelo segundo dia seguido, uma série de exercícios militares de grande escala ao redor da ilha. As manobras, chamadas de “Missão Justiça 2025”, envolvem tropas do Exército, Marinha e Força Aérea, com uso de munição real e simulação de operações de cerco.
Segundo a Guarda Costeira de Taiwan, ao menos sete foguetes foram disparados pelas forças chinesas em direção às zonas de treinamento nesta terça-feira (30). O Comando do Teatro Oriental do Exército chinês informou que realizou tiros de longo alcance nas águas ao norte da ilha, afirmando que os objetivos militares foram atingidos.
O presidente de Taiwan, Lai Ching-te, condenou as ações de Pequim, classificando-as como provocação militar. Como consequência das operações, 76 voos domésticos foram cancelados e cerca de 6 mil passageiros foram afetados. Autoridades também reforçaram o controle do tráfego aéreo.
Os exercícios são os maiores dos últimos oito meses e ocorrem 11 dias após os Estados Unidos anunciarem um pacote de venda de armas a Taiwan avaliado em US$ 11 bilhões, o maior já aprovado por Washington desde o início da crise.
Vídeos divulgados pelas Forças Armadas chinesas mostram lançadores de foguetes, disparo de mísseis e caças decolando. No mar, navios de guerra realizaram tiros próximos à costa taiwanesa. Taiwan respondeu mobilizando tropas e declarou que está preparada para o pior cenário.
Pequim afirma que os exercícios são dirigidos contra “forças separatistas” e acusa países estrangeiros — especialmente os EUA — de alimentarem tensões militares na região.
O conflito tem raízes históricas desde 1949, quando os nacionalistas derrotados na Guerra Civil chinesa se refugiaram em Taiwan. Para a China, a ilha continua sendo parte do seu território; já Taiwan se administra como uma democracia autônoma.
Além dos EUA, o Japão também acompanha a escalada com preocupação, após sinalizar que poderia responder militarmente a um eventual ataque chinês à ilha.
Especialistas alertam que a região concentra rotas comerciais estratégicas e importante produção tecnológica, o que torna qualquer aumento de tensão um risco global.




