A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) alertou para os riscos da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, em debate no Congresso Nacional por meio da PEC 8/25. A entidade afirma que a medida, caso aprovada sem diálogo com o setor produtivo, pode gerar impactos severos sobre empresas, especialmente os pequenos negócios, responsáveis por cerca de 60% dos empregos formais no país.
A proposta estabelece a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas, sem diminuição de salários, além da adoção de um novo regime de quatro dias de trabalho e três de descanso remunerado. Empresários ouvidos pela CACB em todas as regiões do Brasil apontam que a mudança exigiria a criação de novos turnos, aumento de contratações e elevação significativa dos encargos trabalhistas, pressionando custos operacionais.
De acordo com estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), a redução da jornada pode elevar o custo do trabalho em pelo menos 37,5%. Setores intensivos em mão de obra, como agricultura, construção civil e varejo, seriam os mais afetados. O levantamento indica ainda que até dois terços dos trabalhadores formais poderiam ser impactados pela nova regra.
Para a CACB, a discussão sobre a redução da jornada deveria ser precedida por políticas estruturantes, como redução da carga tributária, qualificação profissional, modernização produtiva e estímulo à inovação. A entidade avalia que, sem avanços na produtividade, a medida pode resultar em informalidade, demissões, fechamento de empresas e perda de competitividade do Brasil frente a países como Estados Unidos e China, que mantêm jornadas mais extensas.




