A cultura do Distrito Federal amanheceu de luto com a morte do ator, diretor e produtor cultural Néio Lúcio, um dos nomes mais importantes da cena artística da capital. Ele morreu na noite desta terça-feira (7), deixando um legado decisivo para a ocupação cultural dos espaços públicos de Brasília.
Néio foi o criador, idealizador e apresentador de todas as edições do Concerto Cabeças, movimento considerado precursor das grandes ocupações artísticas em áreas abertas da cidade, ainda no fim dos anos 1970, em plena ditadura.
O projeto ajudou a revelar talentos que se tornariam referências da música brasileira, como Cássia Eller, Oswaldo Montenegro, Renato Mattos, Eduardo Rangel e grupos históricos como Liga Tripa, Mel da Terra e Pessoal do Beijo.
Em depoimentos emocionados, amigos e artistas destacaram o papel de Néio como grande articulador do chamado “tropicalismo de Brasília”, responsável por transformar uma pequena loja na 311 Sul em um centro irradiador da cultura brasiliense.
O poeta Nicolas Behr definiu o Concerto Cabeças como um “woodstockzinho candango”, símbolo da rebeldia criativa da juventude local no período pós-anos 1970.
As apresentações aconteciam nos últimos domingos de cada mês e marcaram a apropriação do “grande quintal coletivo” de Brasília como palco da arte, da música e da resistência cultural.
Segundo amigos próximos, Néio enfrentava problemas cardíacos há algum tempo e teve piora recente no quadro de saúde.
Até o momento, ainda não foram divulgadas informações sobre velório e despedida.







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