O Brasil optou por não assinar o comunicado conjunto sobre a Venezuela, divulgado por parte dos países do Mercosul sob liderança da Argentina durante a cúpula do bloco realizada neste sábado (20), em Foz do Iguaçu (PR). Além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Uruguai, comandado por Yamandú Orsi, também ficou fora do documento.
Segundo a avaliação do Palácio do Planalto, a assinatura de um texto desse tipo poderia ser interpretada pelos Estados Unidos como endosso a uma eventual ação militar norte-americana contra a Venezuela, hipótese que o governo brasileiro rejeita. O comunicado não menciona explicitamente o aumento da presença militar dos EUA no Caribe nem a escalada de tensões entre Washington e Caracas.
O documento foi assinado pelos presidentes da Argentina, Javier Milei; do Paraguai, Santiago Peña; e do Panamá, José Raúl Mulino, além de autoridades de Bolívia, Equador e Peru. Nele, os líderes expressam “profunda preocupação” com a crise humanitária, social e migratória venezuelana e defendem a restauração da democracia e o respeito aos direitos humanos no país, que está suspenso do Mercosul desde 2017.
A posição brasileira reflete uma estratégia de cautela diplomática. Embora Lula não tenha reconhecido oficialmente Nicolás Maduro como vencedor das eleições de julho de 2024, o governo defende que qualquer solução para a crise venezuelana deve ser pacífica e negociada, sem interferência militar externa. O presidente afirmou que uma intervenção armada poderia gerar uma catástrofe humanitária e estabelecer um precedente perigoso para a América do Sul.
Durante a cúpula, Lula relatou ter conversado tanto com Maduro quanto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, buscando uma saída diplomática para o impasse. Em contraste, o presidente argentino Javier Milei classificou Maduro como “narcoterrorista” e elogiou a pressão militar exercida pelos EUA sobre a Venezuela, evidenciando a divisão de posições dentro do bloco.





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