Brasília, terça-feira, 15 de setembro de 2026
Análise • Paulo Fayad

O Supremo diante do espelho

Capa especial sobre a sessão do STF

A sessão extraordinária desta terça-feira colocou o Supremo Tribunal Federal diante de uma questão que vai muito além de Alexandre de Moraes e André Mendonça: a capacidade da própria Corte de examinar fatos envolvendo seus integrantes com transparência, equilíbrio e respeito ao devido processo.

Edson Fachin assumiu a condução de uma sessão institucionalmente delicada. Ao organizar o rito e levar a discussão ao plenário, o presidente do STF colocou a controvérsia sob escrutínio público, num momento em que a credibilidade da instituição está no centro do debate.

Gilmar Mendes, por sua vez, vinha defendendo que os casos relacionados a Moraes e Mendonça fossem analisados de forma conjunta e chegou a sugerir o adiamento da sessão. A divergência expõe uma disputa não apenas sobre conclusões, mas sobre o próprio caminho processual que o Supremo deve seguir.

Minha posição é clara: investigar não significa condenar. Da mesma forma, questionamentos sobre a origem ou a validade de provas precisam ser examinados juridicamente, e não transformados em sentença antecipada.

O Supremo precisa sair desta crise maior do que entrou. Isso exige transparência, independência, contraditório e coragem institucional para esclarecer os fatos, sejam eles favoráveis ou desfavoráveis a qualquer ministro.

Mais que o futuro de um ministro, está em julgamento a confiança da sociedade na própria instituição.

Paulo Fayad
TV Voz de Brasília • 40+ anos de jornalismo