O Ministério Público de Santa Catarina pediu o arquivamento da investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis, por falta de provas concretas contra os adolescentes investigados. O órgão também solicitou que o caso seja enviado à Corregedoria da Polícia Civil para apurar possível irregularidade na condução das investigações e eventual uso político do caso.
Segundo o parecer do MP, com 170 páginas, houve disseminação de versões não verificadas, vazamento de informações sigilosas e direcionamento precoce da investigação contra os jovens.
“A difusão de versões não verificadas contribuiu para a fixação precoce e equivocada de autoria”, afirmou o Ministério Público no documento.
Caso teve forte repercussão
O cão Orelha era conhecido na região da Praia Brava e o caso ganhou grande repercussão nas redes sociais após denúncias de maus-tratos.
A Polícia Civil sustentava que imagens de câmeras mostravam um dos adolescentes e o cachorro na mesma área da praia por cerca de 40 minutos na madrugada do dia 4 de janeiro de 2026.
No entanto, o MP apontou inconsistências nos horários das câmeras de segurança.
Após correção técnica dos registros, concluiu-se que o adolescente e o cão estavam separados por aproximadamente 600 metros no momento analisado, o que enfraquece a principal tese da investigação policial.
Investigação pode ir para corregedoria
O Ministério Público também afirmou que outras hipóteses não foram devidamente investigadas e que isso pode ter comprometido a produção de provas relevantes.
Outro ponto destacado foi a exposição pública de informações envolvendo adolescentes, o que pode configurar violação de sigilo previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.
O caso foi encaminhado à promotoria responsável pela infância e juventude para análise específica.
Menção ao governador
O parecer cita ainda uma publicação do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, feita durante a investigação.
Na ocasião, o governador afirmou que as provas do caso “embrulharam o estômago”. Segundo o MP, a declaração pode indicar possível acesso antecipado a informações sigilosas e teria contribuído para ampliar ataques nas redes sociais contra os investigados.
O que diz a Polícia Civil
Em nota, a Polícia Civil de Santa Catarina informou que concluiu as investigações e encaminhou o inquérito ao Ministério Público, responsável por decidir sobre denúncia ou arquivamento do caso.







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