A Polícia Civil do Distrito Federal desarticulou uma organização criminosa responsável por um esquema nacional de “lavagem de medicamentos”, que desviava remédios de alto custo — usados no tratamento de câncer, doenças autoimunes e transplantes — e os revendia irregularmente, inclusive para hospitais públicos.
A operação, batizada de Alto Custo, revelou que o grupo atuava há pelo menos seis anos em diversos estados, incluindo DF, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Parte dos medicamentos, segundo a investigação, era armazenada sem condições adequadas, o que pode ter comprometido a eficácia ou até causado riscos graves à saúde dos pacientes.
Remédios como Imbruvica, Venclexta e Tagrisso, que podem custar até R$ 80 mil por caixa, eram roubados ou desviados de distribuidoras e reinseridos no mercado por meio de empresas de fachada e notas fiscais fraudulentas.
A polícia aponta que os produtos, muitas vezes, chegavam aos pacientes como “placebos de alto custo”, sem efeito terapêutico — ou até com potencial de intoxicação.
O esquema envolvia também funcionários de uma distribuidora no Aeroporto de Brasília, que retiravam medicamentos do estoque e facilitavam o desvio. Em um único caso, uma carga avaliada em R$ 4 milhões foi interceptada pelas autoridades.
Segundo as investigações, o líder do grupo teria movimentado mais de R$ 22 milhões em apenas um ano, utilizando estruturas para ocultar a origem ilícita dos valores.
Ao todo, foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisões preventivas, enquanto outros suspeitos seguem foragidos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária passou a atuar em conjunto para rastrear e fiscalizar os medicamentos desviados.
A investigação também apura possível ligação do esquema com facções criminosas, ampliando a gravidade do caso.







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