Uma personagem criada por inteligência artificial está dominando o debate político nas redes sociais e acendendo um sinal de alerta para as eleições de 2026. Conhecida como “Dona Maria”, a avatar representa uma mulher idosa negra, com discurso explosivo e tom de revolta, e já alcançou milhões de visualizações com críticas ao governo Luiz Inácio Lula da Silva e a ministros do Supremo Tribunal Federal.
Criada por um motorista de aplicativo do Rio de Janeiro com ferramentas de IA como Google Gemini, Flow e ChatGPT, a personagem viralizou com vídeos sobre política, economia, tarifaço internacional e críticas institucionais. Em menos de um ano, alguns conteúdos ultrapassaram 8 milhões de visualizações, com engajamento comparável ao de políticos tradicionais da direita e da esquerda.
Especialistas ouvidos pela reportagem alertam que esse tipo de conteúdo representa uma nova zona cinzenta para a Justiça Eleitoral, porque não se trata de deepfake de pessoa real, mas de um avatar original capaz de construir vínculo emocional e influência política sobre eleitores.
O temor é que personagens assim sejam usados por campanhas paralelas, candidaturas menores e estruturas não oficiais, impulsionando críticas, desinformação e mobilização política sem rastreabilidade clara no TSE.
A discussão ganha ainda mais peso porque o conteúdo de IA está cada vez mais barato, profissional e acessível, permitindo que qualquer pessoa produza vídeos altamente persuasivos por poucos reais.
Analistas avaliam que 2026 pode marcar a primeira grande eleição brasileira impactada em massa por personagens artificiais, avatares políticos e campanhas emocionais geradas por IA.







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