A vitória de José Antonio Kast na eleição presidencial do Chile redefiniu o equilíbrio político na América do Sul e deixou o continente dividido entre governos de direita e de esquerda. Com o resultado chileno, a direita passa a governar seis dos 12 países sul-americanos, o mesmo número de nações administradas por forças de esquerda, configurando um cenário de paridade ideológica na região.
Especialistas apontam que essa divisão reflete um movimento pendular histórico da política sul-americana, marcado por alternâncias entre campos ideológicos. Após o predomínio da esquerda no início dos anos 2000, impulsionado pela alta das commodities e pela chamada “onda rosa”, o esgotamento do ciclo econômico e crises institucionais abriram espaço para o avanço conservador a partir da década seguinte.
Analistas também destacam que a polarização crescente e a fragilidade das instituições democráticas contribuem para um ambiente de instabilidade política. Problemas estruturais, como desigualdade social, pobreza e descrença nas instituições, tornam parte da população mais suscetível a discursos populistas e a soluções rápidas, mesmo com riscos autoritários.
O cenário atual desafia a cooperação regional e dificulta respostas conjuntas a temas como integração econômica, segurança pública e crises políticas, a exemplo da situação venezuelana. Para especialistas, a principal preocupação não está na alternância ideológica em si, mas no enfraquecimento do diálogo político e no risco à consolidação democrática na América do Sul.





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